Conhecendo a Fobia Social


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“Fobia” é o termo médico usado para descrever uma doença psiquiátrica que tem como principal característica o medo intenso e descomunal de objetos, ou de situações, que para a maioria das pessoas não representa ameaça alguma. Nas fobias específicas, o medo é focalizado a um objeto, ou a uma situação específica, tais como: medo de trovões, medo de barata, medo de pássaros, medo do escuro, medo de anões, medo de lugares fechados, medo de sangue, entre outras centenas de medos.

Diferente da fobia específica, que se fixa a um objeto particular, a fobia social pode envolver um conjunto de situações sociais. A pessoa com fobia social irá apresentar um padrão de pensamentos, emoções, comportamentos e respostas fisiológicos, associado ao medo de se expor, ou de ser julgado por outras pessoas, o que a faz evitar situações sociais.

As fobias sociais, freqüentemente, se iniciam na adolescência.  Os casos mais comuns são: o medo de expressar os seus próprios sentimentos; medo de se comunicar com superiores; medo de dizer não a um pedido; medo de se relacionar com o sexo oposto; medo de comer ou falar em público, e, em alguns casos, pode se estender a todas as situações sociais fora do contexto familiar.

O tratamento que tem demonstrado maior eficácia na superação da fobia social é a Terapia Cognitiva Comportamental. Ela trabalha sobre os três sistemas básicos de resposta do organismo: o cognitivo (pensamentos, julgamentos, valores); fisiológico (resposta automáticas, ansiedade, hipertensão); e comportamental  (a atitude diante da ameaça, lutar ou fugir).

O trabalho cognitivo da terapia avalia as percepções e auto-julgamentos do paciente, que são distorcidos e se transformam em crenças disfuncionais, alimentando o processo fóbico. São exemplos de auto-julgamentos e crenças disfuncionais, pensamentos do tipo:

“Sempre fui um fracasso para falar em público.”

“Os outros notam o meu nervosismo.”

“É vergonhoso parecer ansioso na frente dos outros.”

“As pessoas vão rir de mim.”

“Eu sinto que não consigo falar direito as palavras.”

“Tenho medo que as pessoas falem mal de mim.”

Os pacientes com fobias sociais mantêm padrões excessivamente elevados para a avaliação do seu próprio desempenho. Eles nutrem um modelo tendencioso de avaliação que funciona como um ciclo vicioso e, desse modo, fortalece as crenças disfuncionais (Range, 1995).

Os sintomas fisiológicos incluem a ansiedade aguda, quando o paciente se encontra diante de uma situação que não pode ser evitada, e sintomas somáticos, tais como: taquicardia, tremor, espasmos musculares, sudorese, distúrbios gastrintestinais, tontura, mãos geladas, entre outros.

O tratamento desses sintomas é feito mediante o uso de técnicas de relaxamento e de hipnose. Segundo Kaplan*“a  hipnose é usada para amplificar a sugestão do terapeuta de que o objetivo fóbico não é perigoso, e a auto-hipnose pode ser ensinada ao paciente como um método de relaxamento, quando confrontado com o objeto fóbico”.

Já o enfoque comportamental irá abordar técnicas de enfrentamento e estratégias de ação para superar os impedimentos na vida profissional, sexual e social dos pacientes.

Assim, a terapia comportamental pode utilizar como recurso no tratamento da fobia social, o treinamento em habilidades Sociais – THS e a exposição para realização de dessensibilização das respostas de medo (Range, 1995).

O tratamento das fobias sociais exige muita atenção e habilidade do terapeuta para analisar os diversos processos psicológicos que provocam a resposta de medo. Ao contrário da fobia específica, apenas o enfrentamento, na maioria dos casos, não é suficiente para tratar a fobia social, pois os pacientes podem apresentam debilidade nas suas habilidades de comunicação e na forma como julgam o seu próprio desempenho.

Kaplan (1997) alerta para o risco de não tratamento desses transtornos, pois o sofrimento associado com as fobias pode levar a complicações psiquiátricas adicionais, incluindo outros transtornos de ansiedade, transtornos depressivos e transtornos relacionados a substâncias, especialmente por uso de álcool.

Referências
(1997) Kaplan, H. Compêndio de Psiquiatria: ciências do comportamento e psiquiatria clínica. Ed. 7a. São Paulo, p566.
(1995) Rangé, B.  Psicoterapia Comportamental e Cognitiva de Transtornos Psiquiátricos. Campinas.

escrito por:
Leon Vasconcelos Lopes

Psicólogo – Hipnoterapeuta


About Leon Vasconcelos

Como estudante de psicologia fui quase doutrinado em teorias quânticas e metafísicas, mas o convívio com grandes mestres da medicina e biologia me conduziram a verdadeira ciência natural. Hoje, busco divulgar e ensinar a ciência do comportamento, focando o mínimo nos subjetivismos e o máximo no controle experimental.