Transtornos de Ansiedade


Medo AnsiedadeOs psiquiatras e neurologistas explicam a ansiedade como provocada pela liberação de hormônios e neurotransmissores; os psicólogos mentalistas explicam como consequência de aspectos mentais, como pensamentos, crenças e incertezas; os terapeutas alternativos já dizem que se deve ao desequilíbrio energético e dos chácaras.

 Já para nós, analistas do comportamento, a liberação de hormônios e neurotransmissores é o resultado secundário a um evento ambiental: quando alguém sofre um assalto, o coração dispara porque a situação é ameaçadora, não porque a adrenalina quis ser liberada. Portanto, há uma troca entre causa e consequência.

 Por outro lado, as explicações que recorrem a culpar a “mente”, não dizem absolutamente nada, pois “a mente” não é algo compreensível, é como afirmar que tal acontecimento “foi coisa de Deus”. Ora, as pessoas só usam os termos: mente, Deus, energia, entre outros, justamente, quando não consequem explicar um determinado evento. É como a resposta a pergunta:

 “Pedrinho, o que é aquilo na água? É alguma coisa!”. 

 Usar esses termos também não explica nada, pois os próprios termos se referem a processos não compreendidos.

 Os pensamentos e as crenças, também são o resultado, mas não a causa dos eventos. Após um assalto inesperado, as pessoas buscam explicações e justificativas, mas não foram os seus pensamentos que causaram o assalto, ou a resposta ao assalto.

 O fato é que para a Análise do Comportamento, não se deve usar outros termos para explicar o comportamento, senão o conhecimento sobre o próprio comportamento. Por isso, não há uma divisão da pessoa em mente e corpo, como se existissem duas entidades autônomas e separadas. Ao contrário, se estuda um único processo, o comportamental, que também é responsável pela estimulação dos pensamentos e dos sentimentos.

 Seguindo esta lógica, a pessoa interage com o ambiente físico e social, e dessa interação se produz respostas que são aprendidas e poderão se repetir em situações semelhantes, no futuro. O que chamamos de “Ansiedade”, é na verdade a antecipação de uma situação aversiva, ou seja, a antecipação do medo.

 Para se entender como essa relação acontece, é necessário se fazer a análise funcional do comportamento, pois o medo é uma reação que deriva da história de aprendizagens de cada indivíduo, vejamos do que ele pode ser composto:

 Estímulos Aversivos Primários:  ferimentos físicos, queimaduras, choque elétrico, frio intenso, estímulos que provocam dor aguda;

 Estímulos Aversivos Secundários: gritos, humilhação, carão, lição de moral, constrangimento, ridicularização, xingamentos, e demais estímulos mediados pela linguagem e pelas regras sociais.

 Remoção de Estímulos Gratificantes
Primários: comida, água, proteção (roupas), pessoas (isolamento).
Secundários: remoção de liberdade, de elogios, de gratificações esperadas (recreio, férias, entre outras).

 Responder antecipadamente ao medo, portanto, significa a exposição a certos estímulos que são considerados aversivos para uma determinada pessoa, ou a remoção de estímulos que são considerados gratificantes.

 Ficar longe da família pode ser tão aversivo para uma pessoa quanto receber uma lição de moral do chefe, ou andar de montanha russa, para outra, pois esses estímulos podem ter classes funcionais equivalentes.

 O objetivo da análise funcional é analisar a função dos estímulos na história de aprendizagens de cada cliente e descobrir como eles afetam as respostas comportamentais. Com a compreensão dessas relações, é possível realizar a modificação do comportamento de forma precisa, sem que se apele para explicações vagas e intermináveis de causas mentais, tão pouco, que se passe a vida utilizando medicamentos que tentam diminuir as respostas secundárias, através de intervenção química.

 Alguns tipos de problemas psicológicos asssociados à ansiedade

 Síndrome do Pânico: crises, ou ataque repentinos de medo, sem que a pessoa identifique uma causa aparente.

 Aracnofobia: medo intenso e incapacitante de aranhas, escropiões, opiliões.

 Medo ou Fobia Social: comportamentos de ansiedade que se manifestam em locais com grupo de pessoas.

 Tricotilomania: comportamento cumpulsivo de arrancar os cabelos, manifestado em situações de ansiedade.

 Roer Unhas e ter Tiques Nervosos, são outros tipos de reação à ansiedade.

 É chamada de comorbidade, quando certos comportamentos patológicos favorecem o aparecimento de outras doenças associadas. A resposta desequilibrada à ansiedade está relacionada a vários outros comportamento patológicos, como os vícios e a obesidade. Tanto os fumantes, e outros dependentes químicos, quanto as pessoas obesas podem encontrar no cigarro, nas drogas, e na alimentação excessiva, uma fuga equivocada para tentar se livrar do desconforto da ansiedade causada pela estimulação aversiva. 

 

Comportamento.Net
Dr Leon Vasconcelos, Msc.

 


About Leon Vasconcelos

é psicólogo, mestre em saúde coletiva e bacharel em comunicação social com interesse em jornalismo científico. Sua vida acadêmica iniciou na área das ciências biológicas, por três anos participou de pesquisas experimentais em neurofarmacologia molecular. Largou o mestrado em fisiologia humana para se dedicar à prática da psicologia clínica. Atualmente trabalha com análise do comportamento, finanças comportamentais e psicologia esportiva.