A Psicoterapia e a Hipnose de Milton Erickson


 

Numa manhã de domingo de 1918, um garoto de dezessete anos ardia de febre e se contorcia sentindo dores terríveis.

A sua família, que vivia numa fazenda na zona rural, nos Estados Unidos, contatou, rapidamente, os melhores médicos da região. Por volta das oito da noite, após examinar e medicar o paciente, os médicos chamam a mãe do garoto até a sala de estar para dar-lhe o prognóstico.

Do seu quarto, em meio a espasmos e dores, o garoto doente, Milton Erickson, consegue ouvir os médicos garantirem que ele havia contraído poliomielite e que, provavelmente, não passaria daquela noite! Caso sobrevivesse, falaram para sua mãe, “ele ficaria paralítico para o resto da vida”.

Alguns minutos mais tarde, após a saída dos doutores, e, sem dizer que havia escutado o prognóstico dos médicos, o jovem adoentado, Milton Erickson, chama a sua mãe, que estava visivelmente abalada com a notícia.

Erickson pede para que ela abra a janela do seu quarto, sem dizer o porquê. Aquela seria uma longa noite para ele… Indignado com o que os médicos haviam falado para sua mãe, Erickson havia prometido para si mesmo que não morreria! Mesmo sofrendo com febre alta e dores agudas, ele se manteve acordado por toda a noite, só adormecendo após avistar os primeiros raios do sol surgirem no horizonte.

Iniciou assim a longa história de superação pessoal e profissional de Milton Erickson, o jovem acometido pela poliomielite e desenganado pelos médicos, que se convenceu que não apenas viveria, mas reaprenderia a falar e a andar.

Dois anos mais tarde, ele iniciaria os seus próprios estudos de medicina, visando aprender, aplicar, e ensinar as gerações futuras, as suas experiências para a superação dos próprios limites e para o tratamento dos pacientes.

Entre as décadas de 1950 a 1970, Milton Hyland Erickson (1901/1980) se tornou o psiquiatra americano mais inovador e um dos mais influentes psicoterapeutas dos Estados Unidos. O seu trabalho influenciou novas abordagens psicológicas, como a psicologia sistêmica, a terapia familiar, a programação neurolinguística, e até as teorias de comunicação e a cibernética.

Durante o curso de medicina, Erickson conheceu a técnica psicológica da hipnose, ferramenta que ele usou em si mesmo por toda a vida, e que o ajudou a superar as terríveis dores durante as crises subseqüentes de pólio. Como destaca Jay Haley (1991):

“Erickson levou para a terapia uma gama extraordinária de técnicas hipnóticas e, para a hipnose, uma expansão de idéias que a ampliaram muito além de um ritual de um estilo especial de comunicação”.

Descontente com as várias vertentes psicológicas que funcionavam fechadas, semelhantes a seitas, Erickson desenvolveu a sua própria terapia, que ficou conhecida como Abordagem Naturalista. Ele defendia que a cura viria por si mesma, bastando para isso se criar o ambiente psicológico, ou o contexto, propício para ela acontecer.

Ele defendia que as pessoas trazem em suas próprias experiência e aprendizagens todos os recursos necessários para superar as dificuldades (O’Hanlon, 1994), embora, na maioria das vezes, elas não tenham consciência disso, ou não saibam como utilizar as suas próprias virtudes.

A terapia ericksoniana, portanto, é direcionada para solução dos problemas, acredita que todo conflito é uma tentativa natural de buscar a cura e a superação. Se entendermos o que o “sintoma procura” e oferecermos um caminho melhor, mais seguro e sem conflitos, com certeza, o paciente vai preferir esse caminho, dizia ele.

Erickson procurava, assim, entender o que o sintoma queria dizer, pois eles eram mantidos por conflitos subjacentes às situações paradoxais da vida, ou seja, por tentativas de obedecer a ordens contraditórias simultaneamente. Por exemplo:

Um homem procura a terapia para se livrar do álcool. Após a avaliação, observa-se que a bebida libera o paciente de frustrações sexuais com sua esposa. O caminho será livrá-lo do álcool, ou fazê-lo observar o que o sintoma reclama?

No fundo, a verdadeira necessidade desse paciente era adquirir habilidades de comunicação para facilitar as relações sexuais, diminuir a sua depressão e reduzir o uso de bebidas alcoólicas.

O trabalho desenvolvido por Milton Erickson foi tão inovador que as premissas comuns da psiquiatria e da psicologia, na época, não eram adequadas para descrevê-lo (Haley, 1991).

Panorama Geral e Atualizado sobre a Hipnose

Do ponto de vista científico e experimental, atualmente, a hipnose é considerada a intervenção psicológica com o maior número de trabalhos científicos já realizados, são cerca de 250 mil artigos, projetos e estudos empíricos, relatando resultados positivos em diversas áreas da saúde.

O Conselho Federal de Medicina e a Organização Mundial de Saúde-OMS recomendam o uso da hipnose como coadjuvante no tratamento de uma grande variedade de doenças físicas e psicossomáticas bem como um meio de abreviar os tratamentos psicológicos. (*Quando usada isoladamente, sem estar associada a uma psicoterapia, a hipnose trás benefícios quantificáveis).

Ela é a intervenção psicológica de maior efetividade e rápida aplicação para o controle da dor, sendo usada até como anestesia em cirurgias e tratamentos médicos e odontológicos.

A hipnose foi o primeiro procedimento comportamental a ser usado na medicina como método de intervenção clínica, em 1754,  sendo portanto, a precursora de todas as demais psicoterapias que surgiriam quase cento e cinquenta anos depois. Com ela, se constatou empiricamente a influência dos conflitos comportamentais sobre as disfunções orgânicas.

No Ceará

Em Fortaleza, a hipnoterapia ericksoniana foi introduzida em 2002, pelo psicólogo Leon Vasconcelos Lopes, na época, residente em psicologia clínica.

Desde então, o seu trabalho se aprofundou buscando um paralelo entre a hipnoterapia ericksoniana e a terapia comportamental, uma vez que o próprio Milton Erickson teve acesso à hipnose, pela primeira vez, através de uma apresentação de Clark Hull, um renomado psicólogo comportamental.

Atualmente, Leon Vasconcelos é psicoterapeuta no Centro Médico da Coluna Vertebral, em parceria com o renomado médico neurocirurgião, Dr Henrique da Mota.

A partir do website Comportamento.net, Leon Vasconcelos divulga e realiza cursos de capacitação em psicoterapia e hipnose clínica, sendo um dos profissionais com ampla experiência clínica e pedagógica.

Mais artigos e informações podem ser obtidas no site: WWW.COMPORTAMENTO.NET