Psicopatologia e Tratamento: notas de estudo


Durante a Idade Média, os comportamentos bizarros eram atribuídos a influencia do diabo e as pessoas que apresentavam tais comportamentos eram queimadas como bruxas, encarceradas e sujeitas a outras brutalidades e torturas destinadas a exorcizar o demônio.

Durante o século dezenove, surgiu uma atitude mais esclarecida. Os indivíduos que apresentavam patologias do comportamento passaram a ser encarados como “doentes” em vez de possessos. Em vez de presos, eles eram enviados a hospitais. […]

Só muito recentemente, as patologias do comportamento passaram a ser encaradas como produtos de histórias incomuns de aprendizagem e condicionamento. Como tal, suas curas exigem um tratamento comportamental e não médico.

Foi o neurologista de Viena, Sigmund Freud, que reconheceu que as causas de certos comportamentos patológicos encontravam-se na história passada do indivíduo. … [Ele] salientou que freqüentemente o indivíduo é incapaz de descrever os eventos críticos do passado [e presente] que levam à patologia. […] Um aspecto importante da terapia envolve o fornecimento de SDs – Estimulos Discriminativos Verbais – para aumentar a probabilidade de o paciente relatar incidentes de seu passado [e presente] que poderiam ter relação com o distúrbio atual.[…]

Para Freud, parecia obvio que o tratamento consistisse parcialmente em fazer o próprio paciente saber qual era a sua história relevante. Tal ponto de vista tem relação com o que conhecemos sobre a extinção e a [habituação] adaptação dos efeitos emocionais. […] Os princípios comportamentais básicos serão seguramente úteis para ajudar a formar uma base experimental sólida para a psicologia clínica e psiquiatria.[…]

Tal como a medicina orgânica deriva das descobertas de processos químicos, bioquímicos e fisiológicos, fundamentais, assim também a prática da psicoterapia [deveria derivar] das descobertas de processos comportamentais fundamentais.

(Princípios de Análise do Comportamento, J.R. Millenson, 1967,p.443-4). Grifo Nosso.


About Leon Vasconcelos

é psicólogo, mestre em saúde coletiva e bacharel em comunicação social com interesse em jornalismo científico. Sua vida acadêmica iniciou na área das ciências biológicas, por três anos participou de pesquisas experimentais em neurofarmacologia molecular. Largou o mestrado em fisiologia humana para se dedicar à prática da psicologia clínica. Atualmente trabalha com análise do comportamento, finanças comportamentais e psicologia esportiva.