Psicoterapias, Terapias e Placebo

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O que torna uma psicoterapia eficaz

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Você já participou de alguma palestra motivacional, ou pelo menos, já viu alguma dessas palestras na internet? Se sua resposta foi, ´sim`, você já sabe, não há como “não se sentir melhor”, ou “um pouco mais motivado”, após assistir uma boa palestra motivacional, não é mesmo?

Pois bem, NÃO É esse o tipo sensação, ou experiência, que se deve esperar de uma psicoterapia. Se este for o tipo de sensação que você tem constantemente ao ir à terapia, você pode estar pagando por uma ilusão.

A “sensação de plenitude” acontece frequentemente quando o terapeuta passa, conscientemente, ou não, a conduzir a vida do cliente. Validar o que é certo, ou errado, o que é bom, ou ruim, dar aulas de como deve se comportar, e até de psicologia. Cuidado com essa postura de terapeuta que posa de modelo, se auto-referenciando, pois é mais indicativa de problemas de insegurança e auto-afirmação do próprio terapeuta do demonstração de experiência profissional produtora de autoconhecimento para o cliente.

Infelizmente, o verdadeiro trabalho do psicoterapeuta não é divertido – é sério, delicado e complexo. Pois não é fácil lidar com as dores humanas, analisar padrões complicados de comportamentos e interações sociais, estabelecer metas terapêuticas viáveis e usar a si mesmo numa relação de proximidade e afeto para produzir mudanças nos clientes. Isso tudo sem recorrer aos sermões, conselhos, ou pseudo aulas de como alguém deve se comportar.

As metas terapêuticas – aquilo que o cliente precisa aprimorar – devem ser estabelecidas como hipóteses de trabalho. E por conta disso, elas também precisam ser testadas (sem ser verbalizadas para o cliente), tendo o cuidado de que ele não se comporte por ser “aquilo que é esperado pelo terapeuta”.

Por exemplo, se desconfio que as crises de ansiedade de um cliente estão sendo reforçadas porque evitam que ele se exponha à situações sociais, preciso ajudá-lo a ampliar seu repertório de habilidades sociais e observar se há uma diminuição nas crises de ansiedade. Caso as crises sejam um modo de obter “afetividade, atenção, respeito…” das pessoas próximas”, a meta de ampliar o repertório de outros comportamentos capazes de obter “afeto, atenção, respeito…” seria uma maneira de testar se essas coisas estão correlacionadas.

O grande desafio do terapeuta é implementar esses comportamentos por meio da relação terapêutica sem usar pedagogia, sem dar instruções, ou teorizar sobre as regras e valores.

A modificação do comportamento deve ser sentida pelo cliente como uma ´aprendizagem tácita`. Isso seria semelhante ao aprendizado que você tem ao ir a um Congresso, porém não está relacionado às palestras e às aulas assistidas, mas ao contato com o ambiente social do congresso, as conversas nos corredores, as trocas de contato, as novas amizades, etc. É como o sotaque, você sabe que é seu, embora não saiba como o adquiriu.

A terapia deveria ser compreendida mais como um “Local Sagrado” do que como uma “Colônia de Férias”. Lembre-se que é uma atividade, ou tratamento, que deve ajudá-lo a desenvolver resistência para enfrentar os momentos delicados da vida – assim como a as atividades físicas são dolorosas, mas te fortalecem para enfrentar os desafios físicos da vida.

Há qualquer momento, os recursos comportamentais fortalecidos com a terapia podem ser exigidos e você tem que estar preparado. Portanto, bola pra frente, faça terapia para tornar-se um especialista em você mesmo. Ah, e  desconfie das “terapias da felicidade”.

Leon Vasconcelos, Psy
é psicoterapeuta e criador do site
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