Motivação Total – Mudança de Vida

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3o. Capitulo de amostra do livro


Mudança de Vida

“Mudanças. As vezes, se aproximam discretamente. As vezes, te acertam sobre a cabeça. E as vezes… você vira na curva, apenas para descobrir que você está, de algum modo, diferente. E o mundo não parece mais como costumava ser. Então, pra onde eu vou daqui? Não faço ideia. Mas, pela primeira vez, eu sinto que isso é algo bom”.  Being Erica, S01E01.

Começamos este capítulo com a reflexão de Erica Strange, após começar sua primeira sessão de terapia. Para quem não conhece, “Being Erica” é uma série canadense sobre a vida de Erica, uma mulher bonita, de trinta anos, formada em boa faculdade. Ela tem mestrado, bons amigos, mas não consegue encontrar um trabalho à sua altura e muito menos um namorado. Erica vive presa aos erros do passado e não consegue caminhar para frente.

Após uma crise alérgica, ela vai parar no hospital e lá conhece Tom, um psicoterapeuta bem excêntrico. O Dr. Tom a desafia a “consertar” sua vida e ela começa uma espécie de terapia existencial, com direito a hipnose regressiva e oportunidades de “voltar no tempo” e corrigir os erros do passado.

Porém, Erica se depara fazendo as mesmas coisas como antes. Inundada por sentimentos de angustia, culpa e desespero, recebe o auxílio do Dr Tom e começa a conhecer mais sobre si mesma.

Em um dos momentos de maior clímax do primeiro episódio, Erica, finalmente pode alterar um incidente do seu passado, no qual ela garante ser o momento causador das futuras dificuldades nos relacionamentos amorosos.

Segue o diálogo dela com seu terapeuta (O Dr. Tom aparece no seu baile de formatura disfarçado de vendedor de cachorros quente):

Erica – Você me prendeu neste pesadelo e você me oferece hot dogs e citações que não fazem sentido, mas não me diz o que tenho que fazer! (Esbraveja)

Dr Tom – Não tenho certeza o que você quer de mim.

Erica – Quero saber o que eu tenho que fazer. Isso vai terminar? Vou ficar presa aqui?

Dr Tom – Ninguém está preso… em lugar nenhum. Você está onde precisa estar agora. E quando terminar de fazer o quer que seja, que deve fazer, então você vai embora.

Erica – E o que é que eu devo fazer? Qual meu objetivo aqui? Qual o meu propósito?

Dr Tom – “Uma viagem de vida é eterna, onde está o objetivo? A resposta é… Em todo lugar.” Rabindranath Tagore.

A atuação do Dr Tom, apesar de aparentemente engraçada, é muito precisa e condizente com o que eu destaquei sobre um dos “fundamentos da psicoterapia”, o de não direcionar as escolhas dos clientes.

Muita gente ficaria agradecida, e momentaneamente feliz, caso o terapeuta dissesse o que ela deveria fazer nesses momentos aflitivos. Os terapeutas inexperientes, ou com pouco treinamento, caem facilmente nessa cilada. Por não conseguirem dar conta dessa pressão angustiante dos pacientes, eles acabam sucumbindo a facilidade de estar numa posição de autoridade e fácil direcionamento do outro. Porém, ao direcionarem as escolhas, acabam por fortalecer a insegurança e dependência do paciente ao dar as rédeas da suas vidas a terceiros.

Lao-Tsé já ensinava: “Controlar os outros é força, controlar-se a si próprio é verdadeiro poder.” E conclui Gandhi:” Aquele que não é capaz de governar a si mesmo, não será capaz de governar os outros.”.

Oferecer caminhos e direcionar escolhas é uma saída fácil para se livrar, momentaneamente, da angústia do paciente. Porém, isso também reforçaria, justamente, o sentimento de insegurança e o comportamento de dependência da opinião dos outros.

Ou seja, ao invés do trabalho terapêutico ajudar o paciente a adquirir autoconfiança e autonomia – realizando ele próprio suas escolhas – estaria fazendo o oposto, promovendo uma sensação passageira de resolução e fortalecendo a dependência. 

De volta à série Being Erica, o terapeuta, Dr Tom, se mostra sempre presente ao oferecer apoio, usando observações e frases motivacionais – que necessitam ser adaptadas por Erica às situações enfrentadas. Ele se recusa a dizer o que Erica “deve fazer”, pois cabe a ela o papel de protagonista da sua própria vida. Como fazer isso? Dr Tom explica:

“Você aprende fazendo, não existe outro jeito”

John Holt.

No início, essa atitude faz Erica esbravejar, gritar, e até xingá-lo, pois esperava que ele lhe desse todas as respostas. Isso nos faz refletir sobre quantos profissionais estão, realmente, preparados para se expor a essa proximidade afetiva e saber contorná-la assertivamente. E quantos simplesmente não ocuparão a posição da autoridade e prescreverão receitas de felicidade e de bom desempenho.

 

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