Tricotilomania: a estranha mania de arrancar os cabelos


A Tricotilomania é um transtorno caracterizado pelo impulso irresistível de arrancar os cabelos e outros pêlos corporais, resultando em perda capilar perceptível (DSM-IV). Os locais de onde os cabelos são arrancados podem compreender qualquer região do corpo (inclusive as regiões axilar, púbica e peri-retal), sendo os pontos mais comuns, o couro cabeludo, sobrancelhas e cílios.

Os portadores da tricotilomania têm consciência dos danos causados pela prática, principalmente, para a sua auto-estima, mas não são capazes de se controlar. A compulsão em arrancar os cabelos é uma maneira supersticiosa de achar que estão acalmando a ansiedade.

As circunstâncias estressantes freqüentemente aumentam o comportamento, mas ele também pode acontecer em momentos de relaxamento e distração (por ex., assistindo televisão ou lendo um livro). O sentimento de “tensão aumentada” está presente imediatamente antes do ato de arrancar os cabelos.

Para alguns, a tensão não precede necessariamente o ato, mas está associada às tentativas de resistir a esse anseio. Existe satisfação, prazer, ou uma sensação de alívio, ao arrancar os cabelos.

Início e Incidência da Tricotilomania

Estudos recentes de amostras universitárias sugerem que 1 a 2% dos estudantes têm uma história atual ou passada de Tricotilomania. O transtorno geralmente se inicia na adolescência e é classificado como “Transtorno de Controle do Impulso”. Ele é comum entre as mulheres, embora os homens também possam ser afetados.

Sintomas da Tricotilomania:

  • Puxar os cabelos com frequência, causando perda notável no couro cabeludo;
  • Tensão, ou tentativa de resistência antes de puxar os cabelos;
  • Sensação de prazer ou alívio após puxar os cabelos;
  • Perda da autoestima pela alopecia parcial (falhas no couro cabeludo);
  • Comportamentos de examinar a raiz do cabelo, arrancá-la, enfiar uma mecha entre os dentes ou tricofagia (comer cabelos) podem ocorrer com a Tricotilomania.

O ato de arrancar os cabelos não ocorre, geralmente, na presença de outras pessoas (exceto alguns membros da família), e as situações sociais podem ser evitadas. Os indivíduos habitualmente negam arrancar os cabelos e escondem, ou camuflam, a alopécia resultante.

As causas do Transtorno:

A adolescência é uma etapa crítica no desenvolvimento da autoestima, da imagem corporal, da autoconfiança e no desenvolvimento dos relacionamentos íntimos. Durante este período as pessoas que sofrem deste problema podem ser ridicularizadas pelos familiares, amigos, ou colegas. Além disso, elas podem se sentir culpadas ou envergonhadas por não ser capazes de parar com o comportamento impulsivo. Toda essa pressão pode causar sérios problemas emocionais.

Não há nenhuma causa específica para esse transtorno. Porém, alguns pesquisadores acreditam que isso ocorre devido a alguma situação estressante no mundo de relações afetivas do indivíduo.  Na maioria dos casos, essas pessoas têm uma vida normal: se casam, têm filhos, etc. No entanto, algumas evitam ter relacionamentos íntimos pelo medo de expor o seu problema.

Problemas Relacionados

Muitas vezes, as pessoas com tricotilomania demonstram sintomas de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), como por exemplo: lavar as mãos com frequência, repetir movimentos, ordenar coisas, etc. Na verdade, há muitas semelhanças entre a tricotilomania e o TOC. Alguns especialistas até consideram que a tricotilomania seja um subtipo do transtorno obsessivo-compulsivo.

Os Tratamentos Disponíveis

A tricotilomania deve ser tratada com psicoterapia aliada ao uso de medicação. Com a psicoterapia o paciente aprende a identificar e controlar os sintomas, empregar estratégias comportamentais que ajudem a diminuir, ou cessar os sintomas, e melhorar sua qualidade de vida. Já a medicação ajuda a controlar o impulso de puxar os cabelos.

Fontes: DSM-IV e Psiconlinews

 Leon Vasconcelos, Psy Ms.
www.comportamento.net


About Leon Vasconcelos

é psicólogo e mestre em saúde coletiva. A sua vida acadêmica teve início na área das ciências biológicas, participou de pesquisas experimentais em neurofarmacologia molecular, largou o mestrado em fisiologia para se dedicar à prática da psicologia clínica. Suas áreas de atuação são: a análise do comportamento, as finanças comportamentais e a clínica comportamental.