Óleo de Coco: do sabão ao seu prato


 

A nova onda difundida pela internet e vendida nas lojas de produtos naturais é a substituição de óleos vegetais tradicionais – milho, soja, canola, oliva – pelo óleo de coco. Se você pensa que isso se deve a uma nova descoberta científica revolucionária, você está enganado.

A moda tem se espalhado por vários países, mas foi importada dos Estados Unidos. Até então, os derivados do coco eram tão baratos que seu uso era destinado à fabricação de sabão e detergentes para a indústria.

Mas alguém teve a brilhante ideia de transformá-lo em óleo para o consumo humano. Não só isso, a estratégia de marketing anuncia o óleo de coco como um dos melhores alimentos e cita um mundo de vantagens. A gordura, que antes praticamente não tinha valor comercial, chega a ser vendida por R$30 o frasco com 200ml, um negócio realmente lucrativo.

Mas não se engane, a Associação Americana de Cardiologia afirma que ainda não há estudos que provem qualquer vantagem no uso do óleo de coco. A associação aponta que esse óleo tem 82% de gordura saturada, mais que a manteiga, a gordura bovina ou a banha de porco. A gordura saturada pode aumentar o nível de colesterol ruim no sangue. O colesterol ruim, muito elevado, pode entupir veias ou artérias e provocar infartos e derrames.

Há, por outro lado, uma hipótese que os triglicerídeos de cadeia média, contidos no óleo de coco, não causariam mal e ainda ajudariam a diminuir o colesterol. Funcionou com ratos, mas os ratos são roedores e os poucos estudos feitos com humanos ainda não confirmaram essa teoria. Em teste com humanos essa hipótese ficou mais evidenciada pelo uso do azeite de oliva do que pelo óleo de coco.

Na medicina quando não há fortes evidências de que um procedimento/ou intervenção possa tratar um problema, o melhor é não intervir. É uma lógica semelhante a usada na Justiça. Se não se tem provas do cometimento do crime, é melhor não condenar o réu, do que correr o risco de mandar para cadeia um inocente.

Nesse caso, o réu é o seu organismo e o risco quem corre é você. Por isso, o mais prudente seria usar o que já é bem conhecido e testado, até que novos estudos esclareçam o assunto. A falta de conhecimento científico consistente acaba deixando uma brecha para muitas especulações. Por outro lado, os empresários estão sempre desejosos por oportunidades de transformar palha em ouro. Isso vale tanto para a industria de medicamentos, como para qualquer outra, incluindo a de óleo de coco.

 “…Os possíveis efeitos negativos dos ácidos gordurosos saturados e a ausência do ácido linolênico ácido graxo essencial de todos os constituintes de coco sugerem que o leite de coco, o óleo e o creme não devem ser usados ​​regularmente em adultos (Pehowich DJ, 2000).

Por enquanto, o uso de óleo de coco deve ser equiparado ao uso de manteiga e de outras gorduras animais, já que a maior parte da sua composição é de gorduras saturadas. Ou seja, se for usá-lo, o faça com cautela, é o que dizem os pesquisadores.

 

Abaixo segue os links com uma matéria do jornal da Globo e de algumas pesquisas científicas:

http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2017/06/oleo-de-coco-faz-tao-mal-quanto-gordura-da-carne-e-da-manteiga.html

https://www.health.harvard.edu/staying-healthy/becoming-a-vegetarian

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10948851

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10948851

Por Leon Vasconcelos
Comportamento.Net


About Leon Vasconcelos

é psicólogo, mestre em saúde coletiva e bacharel em comunicação social com interesse em jornalismo científico. Sua vida acadêmica iniciou na área das ciências biológicas, por três anos participou de pesquisas experimentais em neurofarmacologia molecular. Largou o mestrado em fisiologia humana para se dedicar à prática da psicologia clínica. Atualmente trabalha com análise do comportamento, finanças comportamentais e psicologia esportiva.