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tricotilomania2A Tricotilomania é um transtorno caracterizado pelo impulso irresistível de arrancar os cabelos e outros pêlos corporais, resultando em perda capilar perceptível (DSM-IV). Os locais de onde os cabelos são arrancados podem compreender qualquer região do corpo (inclusive as regiões axilar, púbica e peri-retal), sendo os pontos mais comuns, o couro cabeludo, sobrancelhas e cílios.

Os portadores da tricotilomania têm consciência dos danos causados pela prática, principalmente, para a sua auto-estima, mas não são capazes de se controlar. A compulsão em arrancar os cabelos é uma maneira supersticiosa de achar que estão acalmando a ansiedade.

As circunstâncias estressantes freqüentemente aumentam o comportamento, mas ele também pode acontecer em momentos de relaxamento e distração (por ex., assistindo televisão ou lendo um livro). O sentimento de "tensão aumentada" está presente imediatamente antes do ato de arrancar os cabelos.

Para alguns, a tensão não precede necessariamente o ato, mas está associada às tentativas de resistir a esse anseio. Existe satisfação, prazer, ou uma sensação de alívio, ao arrancar os cabelos.

Início e Incidência da Tricotilomania

Estudos recentes de amostras universitárias sugerem que 1 a 2% dos estudantes têm uma história atual ou passada de Tricotilomania. O transtorno geralmente se inicia na adolescência e é classificado como “Transtorno de Controle do Impulso”. Ele é comum entre as mulheres, embora os homens também possam ser afetados.

Sintomas da Tricotilomania:

  • Puxar os cabelos com frequência, causando perda notável no couro cabeludo;
  • Tensão, ou tentativa de resistência antes de puxar os cabelos;
  • Sensação de prazer ou alívio após puxar os cabelos;
  • Perda da autoestima pela alopecia parcial (falhas no couro cabeludo);
  • Comportamentos de examinar a raiz do cabelo, arrancá-la, enfiar uma mecha entre os dentes ou tricofagia (comer cabelos) podem ocorrer com a Tricotilomania.

O ato de arrancar os cabelos não ocorre, geralmente, na presença de outras pessoas (exceto alguns membros da família), e as situações sociais podem ser evitadas. Os indivíduos habitualmente negam arrancar os cabelos e escondem, ou camuflam, a alopécia resultante.

As causas do Transtorno:

A adolescência é uma etapa crítica no desenvolvimento da autoestima, da imagem corporal, da autoconfiança e no desenvolvimento dos relacionamentos íntimos. Durante este período as pessoas que sofrem deste problema podem ser ridicularizadas pelos familiares, amigos, ou colegas. Além disso, elas podem se sentir culpadas ou envergonhadas por não ser capazes de parar com o comportamento impulsivo. Toda essa pressão pode causar sérios problemas emocionais.

Não há nenhuma causa específica para esse transtorno. Porém, alguns pesquisadores acreditam que isso ocorre devido a alguma situação estressante no mundo de relações afetivas do indivíduo.  Na maioria dos casos, essas pessoas têm uma vida normal: se casam, têm filhos, etc. No entanto, algumas evitam ter relacionamentos íntimos pelo medo de expor o seu problema.

Problemas Relacionados

Muitas vezes, as pessoas com tricotilomania demonstram sintomas de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), como por exemplo: lavar as mãos com frequência, repetir movimentos, ordenar coisas, etc. Na verdade, há muitas semelhanças entre a tricotilomania e o TOC. Alguns especialistas até consideram que a tricotilomania seja um subtipo do transtorno obsessivo-compulsivo.

Os Tratamentos Disponíveis

A tricotilomania deve ser tratada com psicoterapia aliada ao uso de medicação. Com a psicoterapia o paciente aprende a identificar e controlar os sintomas, empregar estratégias comportamentais que ajudem a diminuir, ou cessar os sintomas, e melhorar sua qualidade de vida. Já a medicação ajuda a controlar o impulso de puxar os cabelos.

Fontes: DSM-IV e Psiconlinews

 Leon Vasconcelos, Psy Ms. www.comportamento.net

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Toda vez que falamos em controle aversivo do comportamento, estamos falando de fenômenos comportamentais básicos como o reforçamento negativo, a punição (positiva e negativa) e também da extinção operante[1].

Ao falar em reforçamento negativo estamos nos referindo à função de ao menos dois comportamentos, que seriam aqueles denominados fuga e esquiva. A nível didático poderíamos apontar que esses comportamentos são autoexplicativos, uma vez que, pela esquiva, você evita a ocorrência de um evento aversivo e, fugindo, o evento aversivo em ocorrência é interrompido[2].

Esses comportamentos têm vantagens óbvias, principalmente se pensarmos em contingências de sobrevivência para depois entendermos as contingências de reforçamento[3]: qualquer comportamento que, de alguma forma, encerra a ocorrência de uma ameaça é considerado um reforçador generalizado tamanha sua potência de controle sobre o homem. Nossos antepassados e quaisquer espécies infra-humanas que foram naturalmente selecionadas precisaram apresentar comportamentos de fuga e esquiva eficientes o suficiente para se manterem vivos. Ou seja, a fuga e a esquiva apresentam vantagens óbvias para a sobrevivência de um organismo enquanto espécie.

Skinner³ nos diz que para entendermos as contingências de reforçamento da melhor maneira possível, talvez devêssemos tentar compreender melhor o que as contingências de sobrevivência nos mostram. Dessa forma, a ocorrência de comportamentos de fuga e esquiva em contingências de reforçamento determinam também a sobrevivência de um organismo, não enquanto espécie, mas como indivíduo. É automaticamente reforçador que nós nos livremos de situações ruins, desde aquelas que envolvem situações de risco (como um assalto) até situações que envolvem procrastinação (afinal, por que fazer hoje o que pode ser feito amanhã?).

A curto prazo, esquivar-nos e fugir de situações que nos parecem ruins é sempre bom, sempre gerará alívio. No entanto, devemos repensar os efeitos do comportamento de se esquivar e fugir a médio e longo prazo, principalmente no trabalho clínico. Talvez seja interessante começar pensando que, para o cliente/paciente, o próprio comportamento de procurar por terapia possa ter a função de uma esquiva de problemas futuros ou uma fuga de problemas atuais, a depender da demanda e queixa trazidas ao setting terapêutico.

A médio e longo prazo, a esquiva não mais terá esse caráter protetivo, de preservar um indivíduo e manter sua sobrevivência enquanto um ser único em seu ambiente, mas assumirá um caráter nocivo à sua autonomia ante o ambiente e à sua convivência em grupo, ou seja, comprometendo suas habilidades sociais[4].

Essas hipóteses podem ser válidas se pensarmos que, quanto mais um sujeito se esquiva e foge de situações que podem lhe parecer ruins, mais insensível ao meio ele ficará. Uma vez que o indivíduo não se expõe às contingências de reforçamento que envolvem riscos ele deixa de obter muitos ganhos com isso: não mais será sensível aos outros e, muitas vezes, tornar-se-á insensível consigo mesmo, com relatos como os a seguir: não entendo “de onde vem esse sentimento ruim”. Ou ainda relatará ao seu terapeuta que os sentimentos que lhe fizeram buscar terapia “vêm do nada” e, pior, não consegue discriminar nem quando essas respostas começaram a ocorrer em sua vida.

Esquivar-se de tudo aquilo que pode envolver punição ou eventos aversivos pode lhe tornar incapaz de estabelecer relações genuínas que envolvam intimidade e confiança[5]. Não ser sensível ao outro dessa forma, fará com que o sujeito deixe de ser apenas um “esquivador” para se tornar alguém rígido e inflexível, isto é, que só se comporta com base naquilo que lhe é seguro, naquilo que com certeza dará certo, de acordo com sua história de vida. Em outras palavras: continuará fazendo a mesma coisa que sempre fez, esquivando-se, fechando-se ao novo e às relações.

Mais que isso, quando esse padrão de comportamento é mantido, ou seja, quando o indivíduo esquiva-se do meio, do outro, do que sente, do que pensa (quando sente-se mal, por exemplo, ingere bebida alcoólica ou se droga) e de qualquer outra coisa que possa lhe parecer ruim, um controle verbal mínimo e sutil poderia gerar uma falsa noção de controle do meio.

Além de um padrão rígido e inflexível, o esquivador pode achar que consegue controlar aquilo que sente, aquilo que pensa e até mesmo o outro, afinal, se eu me sinto mal, só preciso criar respostas competitivas que “desviem” o que me incomoda e aí tudo volta ao normal, tudo se torna simples. E ainda assim, o cliente/paciente não consegue entender o motivo de todos esses sentimentos e pensamentos ainda ocorrerem, por mais que ele saiba exatamente o que fazer.

E não entende justamente por ter se tornado insensível em função da esquiva. Se um sujeito tem um repertório comportamental de esquiva muito bem instalado e refinado, isto é, se ele é capaz de emitir respostas de esquiva e fuga para as mais diversas situações, das mais simples às mais complexas, não há sensibilidade nem espaço para um repertório alternativo. E, por repertório alternativo, entende-se um repertório de enfrentamento eficaz a ponto de fazer com que o cliente/paciente perceba como viver as contingências em que se está inserido é bom, pois é só por meio dessa vivência genuína que repertórios de autoconhecimento, autonomia, confiança e intimidade são instalados e mantidos.

Sendo assim, é papel do terapeuta utilizar-se de técnicas e procedimentos capazes de fazer com que o indivíduo consiga enfrentar situações ruins e estabelecer repertórios de enfrentamento, por meio de bloqueio de esquiva, as terapias de terceira onda como a Psicoterapia Analítica Funcional (FAP) e alguns princípios da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT).

Esse texto é uma visão pessoal de um terapeuta de como conceitos básicos do comportamento podem ter implicações muito maiores quando entendemos sua importância no contexto clínico, compreendendo seus possíveis efeitos a médio e longo prazo. Apesar de ser um tema muito estudado e frequentemente abordado em diversos textos e publicações, falar de mais do mesmo pode ser útil e desejável.

POR  - 
Referências Catania, A. C. (1999) Aprendizagem – Comportamento, Linguagem e Cognição. Porto Alegre: Artmed. Del Prette, A.; Del Prette, Z. A. P. (2007) Psicologia das relações interpessoais: vivências para o trabalho em grupo. 6 ed. Petrópolis: Editora Vozes. Del Prette, A.; Del Prette, Z. A. P. (2012) Psicologia das habilidades sociais: terapia, educação e trabalho. 9 ed. Petrópolis: Editora Vozes. Del Prette, A.; Del Prette, Z. A. P. (2013) Psicologia das habilidades sociais: diversidade teórica e suas implicações. 3 ed. Petrópolis: Editora Vozes. Sidman, M. (1995) Coerção e suas implicações. São Paulo: Editorial PSY II. Skinner, B. F. (1953) Science and Human Behavior. New York: Free Press. Skinner, B. F. (1971) Beyond Freedom and Dignity. New York: Hackett Publishing Company. Skinner, B. F. (1974) About Behaviorism. New York: Vintage. Tsai, M.; Kohlenberg, R. J.; Kanter, J. W.; Kohlenberg, B.; Follette, W. C.; Callaghan, G. M. (2011) Um Guia para a Psicoterapia Analítica Funcional (FAP): Consciência, Coragem, Amor e Behaviorismo. Santo André: ESETec Editores Associados. [1] Catania, A. C. (1999) Aprendizagem – Comportamento, Linguagem e Cognição. Porto Alegre: Artmed. Skinner, B. F. (1971) Beyond Freedom and Dignity. New York: Hackett Publishing Company. Sidman, M. (1995) Coerção e suas implicações. São Paulo: Editorial PSY II. [2] Skinner, B. F. (1953) Science and Human Behavior. New York: Free Press. Skinner, (1971) Beyond Freedom and Dignity. New York: Hackett Publishing Company. Sidman, M. (1995) Coerção e suas implicações. São Paulo: Editorial PSY II. [3] Skinner, B. F. (1974) About Behaviorism. New York: Vintage. [4] Del Prette, A.; Del Prette, Z. A. P. (2007) Psicologia das relações interpessoais: vivências para o trabalho em grupo. 6 ed. Petrópolis: Editora Vozes. Del Prette, A.; Del Prette, Z. A. P. (2012) Psicologia das habilidades sociais: terapia, educação e trabalho. 9 ed. Petrópolis: Editora Vozes. Del Prette, A.; Del Prette, Z. A. P. (2013) Psicologia das habilidades sociais: diversidade teórica e suas implicações. 3 ed. Petrópolis: Editora Vozes. [5] Tsai, M.; Kohlenberg, R. J.; Kanter, J. W.; Kohlenberg, B.; Follette, W. C.; Callaghan, G. M. (2011) Um Guia para a Psicoterapia Analítica Funcional (FAP): Consciência, Coragem, Amor e Behaviorismo. Santo André: ESETec Editores Associados. Fonte: http://comportese.com/2015/10/esquiva-e-fuga-uma-hipotese-de-efeitos-de-medio-e-longo-prazo/

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A anorexia nervosa é um transtorno alimentar que afeta principalmente meninas e mulheres, embora meninos e homens também possam apresentá-la. É o transtorno psicológico que oferece o maior risco de morte, podendo chegar a 6% dos casos. Geralmente, ela começa a se desenvolver na adolescência, e caracteriza-se pela auto-inanição.

Causas, sinais e sintomas

Não se conhece uma causa específica da anorexia nervosa, mas há vários fatores possível fatores, tanto ambientais como psicológicos, para que ela se manifeste.

  • Perda de, no mínimo, 15% do peso corporal ideal em uma pessoa da mesma idade e altura.
  • Desaparecimento da menstruação nas mulheres.
  • Perda de peso auto induzida. Os métodos utilizados podem ser o jejum, pouca ingestão de alimentos, excesso de exercícios físicos, laxantes, pílulas de emagrecimento ou vômitos.
  • As pessoas com anorexia têm um medo constante de ganhar peso, e vivem convencidas de que estão obesas, mesmo se seu peso estiver muito abaixo do de outras pessoas da mesma altura.
  • Sensação de inchaço após as refeições, inclusive com pequenas porções de alimentos.
  • Perda do interesse na vida social com os amigos.
  • Outros efeitos secundários são cansaço, sensação de frio, prisão de ventre e dor de estômago.

Tratamento

Quanto antes o tratamento começar, melhores as chances de recuperação. O tratamento busca: - Recuperar o peso até que ele volte a ser saudável - Recuperar hábitos alimentares saudáveis - Tratar as complicações psiquiátricas ou os problemas mentais associados à anorexia (comorbidades) - Manter pensamentos, sentimentos e crenças positivas em relação à alimentação e à imagem corporal - Obter ajuda familiar reforçadora

Em alguns casos, será necessário receitar medicamentos, especialmente se a pessoa também sofre de depressão ou de sintomas compulsivos sérios. Se o peso corporal do paciente cair mais de 20 a 25% do peso corporal normal, a hospitalização pode ser necessária.

Efeitos a longo prazo

- As pessoas que não recebem tratamento podem adquirir anorexia crônica e, inclusive, chegar à morte. - Passar muito tempo sem ingerir uma quantidade adequada de alimentos pode causar osteoporose (ossos frágeis), além de danos ao coração, fígado, rins e cérebro. - A anorexia pode afetar o crescimento dos jovens e provocar dificuldades de se concentrar. - As pessoas com anorexia nervosa podem ter problemas mentais, tais como a depressão e o fixação no suicídio. Umas das terapias com maior eficácia no tratamento dos transtornos alimentares é a Terapia Comportamental associada à Hipnoterapia.  

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terapia sexual fortalezaUma das áreas mais impactantes sobre o comportamento humano é a sexualidade. O termo "sexualidade" descreve um conjunto de interações biológicas, culturais e individuais que a tornam um comportamento complexo - influenciado por múltiplas variáveis controladoras. Quando a sexualidade se transforma em fonte de conflitos e transtornos emocionais, isso exige análise cuidadosa dos motivos causadores desses problemas e medidas eficientes para tratá-los.

Para obter o tratamento correto é necessário, primeiro, a identificação precisa das múltiplas variáveis envolvidas no conflito. Feito isso, há três intervenções principais - e diferenciadas - usadas no tratamento: 1) a intervenção biológica, realizada por médico e prescrição de medicamentos; 2) a Orientação Sexual, feita por meio de orientações e esclarecimentos sobre sexualidade e cultura; 3) a Psicoterapia, intervenção que mergulha fundo em busca dos aspectos mais íntimos dos comportamentos humanos. Vamos conhecer a diferença das duas últimas, uma vez que exigem trabalho diferenciado e específico:

A diferença entre a Terapia e a Orientação Sexual deve ser clara:

A terapia não se propõe a instruir ou direcionar comportamentos, mas analisar as dificuldades afetivas e a interação social do cliente, dando a ele feedback do impacto do seu comportamento sobre o próprio terapeuta. Essa interação paciente–terapeuta tem objetivo de gerar autoconhecimento e promover a identificação e a mudança de comportamentos para além do consultório. É um trabalho delicado e exige muita experiencia profissional, maturidade emocional e conhecimento avançado em ciência do comportamento, uma vez que se trata de uma intervenção de ciência aplicada.

A orientação sexual, ou orientação de condutas, tem dinâmica diferenciada e não exige tanta experiência profissional por tratar-se de uma relação mais instrucional do que analítica. O profissional usa sua posição de “autoridade” para prescrever, ou instruir, a conduta do paciente, partindo de uma avaliação geral e rápida do problema e torcendo para que o seguimento dessas instruções conduza a melhoria do problema. As instruções funcionam como um procedimento pedagógico, as vezes, chamando de "educação sexual". Embora sejam baseadas em conhecimento especializado, possuem uma grande abrangência e não mergulham a fundo nas dinâmicas interpessoais e afetivas trazidas pelo cliente - esse procedimento é o faz a terapia.

Na prática, acontece o seguinte. Ao iniciar a terapia, o cliente-paciente nos transmite verbalmente a sua descrição do entendimento geral do problema que o aflige. Digamos que Lucio chega ao consultório queixando-se da perda de ereção durante a atividade sexual. Ele está casado, há quatro anos, e começou a sentir os primeiros sintomas, há oito meses.

Nesse primeiro contato, é realizada uma avaliação geral não só do problema, mas sobretudo, do contexto por trás do problema. Na maioria dos casos, as inabilidades na conduta social de Lucio necessitam ser identificadas, e também as circunstância onde elas ocorrem.

Digamos que a dificuldade esteja restrita à relação de Lucio com sua esposa, Joana. Lucio se mostra incomodado com o comportamento da esposa – o qual ele denomina de passivo e frio. Essa é a sua versão, geralmente, os clientes se limitam a descrever seus sentimentos e os sintomas, alguns culpabilizam o parceiro.

É comum nos relacionamentos afetivos se apontar os problemas no outro, já que temos dificuldade de perceber o impacto do ambiente sobre o nosso próprio comportamento. É para isso que serve a terapia, para identificar com clareza as verdadeiras causas do problema.

Mas vamos considerar que Joana também contribua - por ter aprendido que seu papel de mulher é ser passiva e recatada - fato que também a incomoda, e ela se diz disposta a aprimorar a relação íntima com o marido. Neste caso, temos um bom contexto para a Orientação Sexual, de Joana, sendo ela aplicada de maneira diferenciada da terapia de Lucio.

O que precisa ser esclarecido é que a Orientação Sexual e a Terapia são procedimentos diferenciados e não devem ser confundidos, ou misturados. A terapia vai investigar e se aprofundar em comportamentos além dos sintomas. Outras situações, como estresse no trabalho, dificuldades financeiras, relacionamento familiar, traumas, etc, podem ter impacto nas relações íntimas, embora não pareçam estar diretamente relacionadas.

No caso de Lucio, como orientação de conduta, poderia ser prescrito um livro específico sobre sexualidade - para ser lido e discutido entre ele e sua esposa. A orientação de conduta também poderia se estender à Joana, com dois ou três atendimentos, para esclarecimentos e orientações – sendo uma prática independente, e separada, da terapia.

A orientação pode ser simultânea à terapia, porém, com ressalvas do papel que tem cada uma possui. Lembrando que aqui estou me referindo ao atendimento na terapia individual de Lucio – com queixa de diminuição no desempenho sexual com a esposa - e não no atendimento em terapia de casal para atender uma demanda em comum, de Lucio e Joana.

O relato de desagrado de Lucio em relação ao comportamento da esposa, não implica, necessariamente que sua queixa seja uma demanda terapêutica da esposa. Ela inclusive pode iniciar terapia e trabalhar algo totalmente diferente. Porém, é bem provável que a segurança e o autoconhecimento adquiridos na terapia tragam repercussões positivas sobre sua vida sexual.

Finalmente, temos que entender a terapia como trabalho diferenciado da orientação sexual, que vai além dos sintomas, não sendo restrita, ou delimitada, por eles. Não são poucos os casos de cliente com queixas no desempenho sexual, mas o aprofundamento da terapia pode revelar, por exemplo, alta exigência com a performance - em várias áreas da vida - sendo o desempenho sexual, apenas o motivador pela busca da terapia.

Se a sexualidade for isolada do contexto global, e tratada à separadamente, pode haver uma mudança apenas breve, mas não duradoura dos comportamentos. Uma vez que toda a ação analítica ficaria obscurecida pelo sintoma, e a intervenção breve seria uma tentativa de diminuir os sintomas, porém sem chegar as reais causas do problema e o que limitaria a mudança terapêutica duradoura.


PS.: A orientação sexual é bem mais popular e fácil de ser realizada, comparada ao tipo de relação profissional e afetiva demandada pela terapia. O trabalho realizado por Laura Muller, no Programa Altas Horas, é um exemplo de esclarecimento e orientação de condutas. Já a série In Treatment expõe a diferente dinâmica da relação - mais delicada e profunda - estabelecida por paciente e terapeuta no trabalho da terapia.


Leon Vasconcelos, Psy Me.

É clínico comportamental, há 15 anos. Atende em Fortaleza, Ceará Setembro – 2016 www.comportamento.net

É longa a história da formação e definição dos conceitos de normal e patológico na saúde. A sua origem parte de Hipócrates, no quinto século antes de Cristo e se estende até os dias atuais (CANGUILHEM, 2000).

A palavra diagnóstico significa o reconhecimento do todo através de suas partes.  Em que, "Dia" quer dizer separar uma parte da outra, e "Gnosis" significa reconhecimento, conhecimento, percepção (Andrade e Gentil, 1995). Embora não menos complexo, o diagnóstico em saúde mental tem a agravante de não se amparar na revelação algo físico, concreto, tal como uma radiografia ou exame de sangue, que represente uma evidência empírica da causa dos sintomas apresentados pelo paciente.

O diagnóstico médico está fundamentado no modelo hipotético-dedutivo, no qual as características apresentadas pelos pacientes: sinais e sintomas, são identificados e classificados de acordo com a CID-10 (Classificação Internacional das Doenças, versão 10.).

O fator determinante das concepções médicas nas interpretações das doenças mentais está embasado em “critérios de normalidade”, que são um conjunto de fatores subjetivos definido culturalmente. Um dos critérios utilizados para definir um distúrbio psicológico ou mental é “ ser diferente da maioria das pessoas em uma cultura”. Para um comportamento ser considerado patológico, além de ser atípico, ele deve ser considerado perturbador pelas demais pessoas da comunidade.

Indivíduos com inteligência ou com desempenho físico acima da média, não são enquadrados como anormais, ao contrário, são considerados possuidores de qualidades e de talentos especiais. Apenas os comportamentos, consensualmente, considerados “desajustados” correm maior risco de serem diagnosticados como fenômenos patológicos (Myers, 1999). Os fatores culturais têm um papel decisivo responsáveis na determinação dos critérios de normal e patológico.

Segundo Myers (1999, p.319), “Os agentes de saúde mental rotulam um comportamento de psicologicamente perturbado quando o julgam atípico, conturbado, desajustado e injustificável”. Adorar vacas e ratos, ou se alimentar de cães e insetos, pode parecer um comportamento anormal quando adotado no Brasil, entretanto, o mesmo comportamento é encarado com naturalidade em países como a Índia, a China, e Tibet.

Este fato, evidencia que o estudo do tema “normal e patológico” está relacionado com a nossa esfera sócio-cultural e sempre deve levar em conta as especificidades de cada organização social.

Critérios de normalidade

A normalidade é concebida, por um lado, como a ausência de patologia, e , por outro, como a conformidade com o tipo médio. É importante ressaltar que a média é uma medida estatística, puramente descritiva e operacional, que tende a ser considerada como regra e como valor, podendo proporcionar uma interpretação equivocada, uma vez que não leva em conta as singularidades, as dissidências e as anomalias, baseando-se em valores atribuídos ao indivíduo e ao comportamento, cuja função é avaliar e detectar a utilidade social das condutas e dos indivíduos (Doron & Parot, 2000).

No quadro de conceituação da normalidade, existem diversos referenciais que podem ser considerados critérios para a diferenciação entre o normal e o patológico. Entre eles, podemos mencionar as quatro principais perspectivas do enfoque das ciências comportamentais e sociais para a normalidade, formuladas por Offer e Dabshin (Kaplan, 1997). São elas:

  • Normalidade como saúde: esta perspectiva fundamenta o enfoque psiquiátrico tradicional que diferencia saúde de doença. “A maioria dos médicos iguala normalidade com saúde, e vêem a saúde como um fenômeno quase universal” (Kaplan, 1997, p.18). Entende-se, desta maneira, que os sinais e os sintomas que estejam em “desajuste” com o que é comum (ou normal), são um sinal de que algo está errado (ou é anormal). Por outro lado, a falta de sinais e sintomas indicaria um organismo saudável;
  • Normalidade como utopia: é a uma noção de normalidade embasada na idéia de conjunção harmoniosa e plena do sistema nervoso funcionando de maneira excelente. Essa concepção se fundamenta no conceito de pessoa ideal e de tratamento mais eficaz da psiquiatria e da psicanálise.
  • Normalidade como média: é baseada em uma média estatística dos estudos normativos do comportamento no qual traços da personalidade são entendidos como um meio de medida estatística ou de medida padronizada do comportamento, como no psicodiagnóstico. A variabilidade restringe-se ao contexto de grupos e não no contexto de uma pessoa. Nesse modelo, presume-se que as tipologias do caráter podem ser medidas estatisticamente (Kaplan & Sadok, 1998.).
  • Normalidade como processo: admite esta concepção que o comportamento está relacionado a situações ou a fases de desenvolvimento da personalidade, cada estágio é possuidor de características intrínsecas. A temporalidade é essencial para uma definição completa de normalidade. A teoria que mais caracteriza esta visão é a de Erik Erickson, que aborda os oito estágios evolutivos imprescindíveis  para a conquista de um funcionamento adulto maduro, quando o comportamento normal é caracterizado como o resultado final de sistemas que interagem entre si. (Kaplan, 1997).

A concepção popular da doença mental, notadamente da “loucura” responsável pela lotação dos hospitais psiquiátricos, resume-se a alguém cujo comportamento difere dos demais e é capaz de provocar algum grau de ansiedade e constrangimento social.

O diagnóstico médico tradicional está alicerçado no modelo de ciência positivista, que acredita na neutralidade e objetividade científicas, segundo a qual o conhecimento descreve a realidade e esta pode ser atingida utilizando-se para isso o método científico. Desse modo, fazendo-se o uso da técnica apropriada o observador se tornaria imune a distorções e julgamentos que levasse em conta a sua própria história de vida e as suas crenças pessoais.

Há também, a partir desta perspectiva, uma notada relação de poder que atribui ao detentor do “conhecimento verdadeiro”, autoridade que fortalece o peso de suas observações, indicações e tratamentos. É a partir desta ordem do real, enaltecida pela visão positivista, que o diagnóstico se torna uma “arma poderosa”, pois uma vez diagnosticado, não há como fugir desta verdade, fato que se assemelharia, em tempos remotos, a uma acusação de bruxaria na Idade Média.

E foi também a razão teológica em vigor na Idade Média, o fator determinante na postura de busca da verdade desenvolvida pelos primeiros cientistas iluministas e que, posteriormente, ganha um estatuto filosófico nas obras de August Comte (1798-1857). O método científico passa a ser considerado a única maneira de se chegar à verdade, mas a uma verdade que privilegiava os aspectos materiais, o organismo, a anatomia e a fisiologia, as ciências naturais, e acredita na objetividade do conhecimento e na neutralidade do cientista (Lakoff, 2002; Braga, 2005; Capra, 1997; Duarte, 2006; Sabóia, 2003).

Como destaca Foucault (1970, p.4):

Desde os arcanos da Idade Média que o louco é aquele cujo discurso não pode transmitir-se como o dos outros: ou a sua palavra nada vale e não existe, não possuindo nem verdade nem importância, não podendo testemunhar em matéria de justiça, não podendo autentificar um acto ou um contrato, não podendo sequer, no sacrifício da missa, permitir a transubstanciação e fazer do pão um corpo (...)

Desse modo, o conhecimento científico passa a vigorar como o local da verdade, e esta verdade é expressa como sendo o próprio real. Para o pensamento positivista, o que não fosse científico não seria digo de valor.

É, sobretudo, a partir dessa concepção científica, histórica e social, engendrada pelo pensamento positivista do século XIX, que o diagnóstico médico passou a ser contestado pelo movimento humanista da década de 1960, frente à sua pretensão de verdade, buscando rediscutir a visão do modelo médico tradicional.

Fonte: LOPES, Leon G. V., 2008. Repensando o Diagnóstico como Processo. 2009.

hipnoseA hipnoterapia é a utilização da hipnose para tratar problemas de saúde e obter mudança rápida de hábitos relacionados a uma variedade de doenças.

O procedimento pode ter sucesso onde outros métodos convencionais de tratamento falharam. Quando realizada por um psicólogo qualificado e experiente os resultados são mais eficientes. A falha nesse uso de ferramente pode diminuir a motivação para superar o problema.

A hipnose é um procedimento rápido de modificação e controle do comportamento. Isso a torna eficiente em situações especiais, na qual se faz necessário o controle momentâneo  do comportamento, não sendo uma boa opção para quando o objetivo são mudanças duradouras.

Esse ponto é ignorado pela maioria dos terapeutas que usa a hipnose como principal terapia e pelos seus pacientes. O paciente deve ser informado das possibilidades e limites da hipnose, deixando claro não existir cura mágica.

A hipnose é uma técnica psicológica usada para diminuir sintomas, mas não produz conhecimento confiável sobre as causas do problema. Essas devem ser minuciosamente analisadas e compreendidas (função da terapia sem hipnose) para que mudanças duradouras sejam obtidas.

A hipnose é vantajosa quando usada como "terapia breve", indicada nas situações pontuais em que não é possível realizar o tratamento analítico convencional. Isso faz a hipnoterapia uma técnica especialmente útil para o uso hospitalar e situações de emergências.

Escrito por Leon Vasconcelos, PsyD. Fundador Comportamento.Net

hipnose_fortaleza_Leon_Vasconcelos_comportamento.netO que é Hipnose Clínica

É um procedimento que busca alterar a percepção das sensações (controle de estímulos) por meio do controle de estímulos verbais antecedentes. Durante esse procedimento o comportamento do hipnotizado se torna mais sensível às instruções verbais do terapeuta sobrepondo-se às estimulações do ambiente físico (vídeo).

Para que serve

É útil nas situações de exposição a estimulações físicas aversivas. Considera-se estimulação aversiva qualquer procedimento, ou situação, produtora de medo, tensão, desconforto, ou dor.

Indicações

Nas clínicas e hospitais pode ser usada por pessoas sensíveis aos estímulos de exames e tratamentos médicos dos mais variados, tais como: exame de sangue, tomografias e ressonâncias, punções, hemodiálise, tratamento de fraturas e queimaduras, tratamentos de câncer, tratamentos dentários, entre outros.

Limites

O controle exercido pelo profissional de saúde, aplicador da hipnose clínica, é momentâneo e circunscrito à situação específica. O efeito da sugestão hipnótica tende a desvanecer com o término da aplicação. Necessitando ser reaplicado novamente, até a finalização do tratamento.

Como é usada na Psicoterapia

Pode ser usada nas terapias breves e nos casos de atendimentos de emergência. Na psicoterapia convencional – que visa mudanças duradouras do comportamento  - o uso da hipnose é limitado e restrito a ativação comportamental (método que ajuda a identificação de classes de comportamentos problemáticos).

O que a hipnose não é

Não é uma terapia independente, sendo necessária uma abordagem psicológica e não apenas a aplicação da técnica. O procedimento é coadjuvante, ou auxiliar, ao tratamento médico, ou psicológico. Confusões acontecem quando pessoas sem a devida preparação - técnica, ética e emocional - aprendem a técnica e ficam vislumbradas com os efeitos momentâneos do procedimento. Assim, movidas por uma sensação ilusória de poder, passam a acreditar poder curar e tratar as pessoas. A redução dos sintomas, no curto prazo, relatada pelos clientes como sensações de melhora, bem estar e cura pode produzir dupla ilusão de eficácia, tanto no cliente, como no terapeuta.*
* Este efeito de “eficácia percebida” é um viés que deve ser controlado para evitar a ilusão de eficácia. Ele pode ser demonstrado no estudo com um grupo de mulheres idosas, submetidas ao tratamento de rejuvenescimento fácial por acupuntura**. Fotos das rugas faciais foram batidas antes e depois das intervenções. Após três meses de tratamento, tanto as mulheres quanto o terapeuta, estavam convictos das mudanças ocorridas. Eles olhavam as fotos e "viam claramente as mudanças" . Porém, o supervisor e outras pessoas não participantes do estudo não notavam qualquer diferença, no antes e depois. A contagem das rugas também não havia mudado e esse efeito de melhora subjetiva foi chamado de “eficácia percebida”. A relação de acolhimento e vínculo positivo entre as voluntárias e o terapeuta é provavelmente o principal responsável pela mudança na percepção das pessoas envolvidas (tal como acontece na hipnose), fazendo-as acreditarem - e verem - mudanças físicas onde essas não ocorreram. Por outro lado, a “eficácia clínica” seria observação consensualmente verificáveis das mudanças fisiológicas ou comportamentais quantificáveis no curto, médio e longo prazo. **Fonte: http://bdtd.ibict.br/vufind/Record/UFOR_55ec48218f6fdc65585189efe29242f8/Description#tabnav

 Leon Vasconcelos, Psy.D. psicólogo clínico fundador Comportamento.Net

hipnose alucMuito se fala sobre o potencial da hipnose de reavivar memórias há muito esquecidas no tempo, mas seria mesmo a hipnose capaz de realizar tal façanha?

O primeiro passo para responder a essa questão é compreender como funciona a memória, um fenômeno psicológico complexo que está sempre sofrendo influência das novas informações e esquecendo outras que não são relevantes. Esqueça o mito de que o inconsciente não esquece nada, ele não só esquece, como também distorce e constrói lembranças de fatos que nunca aconteceram. Além disso, não há um local específico no cérebro, ou no inconsciente, que armazena dados brutos na memória. Diante de um novo estímulo várias partes do cérebro codificam a informação dando-lhe significado para ser armazenado na memória de curto e longo prazo, com o passar do tempo algumas dessas memórias poderão ser recuperadas e outras serão esquecidas.

Um dos fatores mais importantes ao se tentar recuperar memórias através da hipnose é a “influência da sugestão”, variável que já pregou peça em alguns pesquisadores que tentaram estudar o assunto. Em 1949, Robert True realizou um experimento com voluntários que, após serem hipnotizados, recebiam sugestões de regressão ao dia de Natal de quando tinham 10, 7 e 4 anos de idade. Os voluntários foram questionados sobre qual dia da semana era aquele dia de Natal. Ao acaso a chance de se acertar a resposta é de 1 em 7 tentativas. No entanto, de maneira extraordinária, 82% dos hipnotizados de Robert acertaram as respostas.

Outros pesquisadores tentaram reproduzir em vão os resultados de True. Até que em 1982, quando Martin Orne perguntou a True, o porquê, ele respondeu que a Revista Science havia encurtado a pergunta da pesquisa para “Que dia da semana é?” Mas, na verdade, o que ele havia feito foi perguntar as pessoas sob regressão hipnótica: “É segunda-feira?”, “É terça-feira?” e assim por diante, até que o voluntário respondesse “sim”. Orne perguntou se True sabia o dia da semana ao fazer a pergunta, e True respondeu que sim, embora não tivesse entendido o motivo da pergunta de Orne (Myers, 1999).

O motivo de Martin Orne ter perguntado era simples, o experimento de True parecia um ótimo exemplo de como o hipnotizador pode sutilmente influenciar as respostas do hipnotizado (e, de um modo em geral, como os pesquisadores podem sutilmente expressar suas expectativas. “Tendo em vista a ansiedade do hipnotizado em atender aos pedidos que lhe são feitos”, presumiu Orne, é preciso apenas uma mínima mudança de inflexão (ao perguntar “é quarta-feira?”) para que a pessoas responda “Sim”. (Myers, 1999, p.159).

O golpe final contra os experimentos de True aconteceu quando Orne realizou um experimento em que perguntava a crianças de 4 anos de idade que dia da semana era. Para sua surpresa, nenhuma sabia. Sua conclusão foi, se crianças de 4 anos geralmente não sabem dizer qual o dia da semana, então os adultos hipnotizados de True forneciam informações que provavelmente não sabiam quando tinham 4 anos de idade (Myers, 1999.). Isso significava que as memórias eram construídas a partir da relação com o hipnotizado das expectativas do hipnotizador.

escrito por Leon Vasconcelos Lopes

Referência: Myers, D. Introdução à Psicologia Geral, LTC: Rio de Janeiro,  1999.

Médicos da escola médica da Universidade de Yale testaram se a hipnose poderia ser usada para reduzir a ansiedade a em um pequeno grupo de adultos, minutos antes de serem submetidos a cirurgias de ambulatório.

Conclusão: a hipnose funcionou. Após uma sessão de hipnose os pacientes ficaram menos ansiosos com a operação do que estavam há apenas meia hora.

Por que a tensão antes da cirurgia é ruim?

Segundo os pesquisadores, esta tensão está associada a um aumento da dor e da necessidade de analgésicos, além de estadias mais prolongadas no hospital depois da cirurgia. "Esperamos que através do uso (no pré-operatório) de modificação comportamental tal como programas de hipnose, podemos nos livrar da complicações do pós-operatório", afirma a Dra. Haleh Saadat, professora assistente de anestesiologia da escola médica da Universidade de Yale.

O estudo de Saadat incluiu 76 pacientes com históricos similares. Eles foram abordados numa sala de espera antes de qualquer cirurgia de ambulatório. Primeiramente, os pacientes foram submetidos a uma pesquisa a fim de avaliar o grau de ansiedade. Depois, 26 pacientes foram submetidos a uma sessão de hipnose de 25-30 minutos. Outros 26 pacientes obteram atenção e apoio durante o mesmo período de tempo. Para comparação, 24 outros pacientes ficaram apenas sentados durante meia hora, sem hipnose ou atenção especial.

Depois disso, todos os pacientes se submeteram às pesquisas novamente. A pesquisa foi realizada uma terceira vez — minutos antes da cirurgia, na sala de operações, onde "eles viam os bisturis e todo material cirúrgico", disse Saadat. As pesquisas demonstraram que os pacientes ficaram menos ansiosos após a hipnose, mesmo na sala de operações.

Logo após a hipnose, os níveis de ansiedade eram 68% menores do que na sala de espera. Na sala de operações, os níveis de ansiedade do grupo de hipnose foram ainda menores do que a metade do que originalmente apresentaram, afirma Saadat.

A atenção e o apoio dispensado aos pacientes ajudou um pouco no início, cortando a ansiedade em 10%. Mas o efeito desaparecia na sala de operações, quando o nível de ansiedade dos pacientes ficava 10% além do que estava na sala de espera.

O grupo de comparação foi o que mais ficou ansioso. O nível de ansiedade deste grupo subiram 17% na segunda pesquisa e depois disparou para níveis elevados, sendo 47% mais altos na sala de operações do que na sala de espera. "Em nosso estudo procuramos diminuir a ansiedade", diz. "Apresentamos aos pacientes a sugestão de bem estar e de relaxamento enquanto estavam em transe".

A equipe de Saadat afirma que a hipnose foi "eficaz" no tratamento da ansiedade, convidando outros pesquisadores a realizar mais estudos para confirmar suas conclusões.

A Dra. Saadat e seus associados já estão trabalhando em outro estudo com o objetivo de verificar se a hipnose antes de cirurgias diminui a dor, a náusea e os vômitos após as operações. Ela espera que os resultados estejam disponíveis daqui a um ano.

Fonte: www.webmd.com

Pesquisador canadense realizando pesquisa das resposta à hipnose, usando um tomógrafo Petscanner

Denominamos "comportamento" as respostas do organismo produzidas na interação com o ambiente. Já o termo "ambiente" se refere aos estímulos  antecedentes correlacionados às respostas comportamentais.

O comportamento é tudo o que o organismo faz, incluindo suas reações fisiológicas, sentimentos, pensamentos e a linguagem - ou comportamento verbal - comportamento aprendido para expressar pensamentos, sentimentos e valores. O comportamento, é, portanto, algo dinâmico e complexo, resultado da interação recorrente do organismo com os estímulos ambientais, sejam eles, externos ou internos, ao organismo.

O estudo científico do comportamento é o estudo das variações das respostas do organismo. Não há como estudar o comportamento isoladamente, desvinculado do contexto. Qualquer instância do comportamento deve ter início, meio e fim.

A ciência natural do comportamento estuda as variações no ambiente e como elas controlam o comportamento dos organismos. Os biólogos também fazem algo parecido quando estudam o impacto da poluição - o ambiente - sobre a fauna e flora de uma região - os organismos. No entanto, a diferença consiste no objeto e metodologia utilizada pelos pesquisadores.

Os analistas do comportamento constroem ambientes experimentais para entender, prever e controlar as respostas dos organismos, mas decifrar o comportamento humano é o objetivo principal. Mesmo que os psicólogos experimentais utilizem animais nos estudos do comportamento, o seu foco final é o homem. Por isso, há uma variedade de sujeitos experimentais que vão de insetos, pequenos e grandes mamíferos, até chegar nas crianças humanas, adultos e culturas.

"O autoconhecimento tem um valor especial para o próprio indivíduo. Uma pessoa que se ‘tornou consciente de si mesma’, por meio de perguntas que lhe foram feitas, está em melhor posição de prever e controlar seu próprio comportamento." (Skinner, 1974)

Referência

Sobre uma definição de comportamento. Todorov, 2012.

psicoteerapia_fortalezaAntes de explicar o que é “Ciência do Comportamento” precisamos definir o próprio conceito de Ciência usado aqui, haja vista a variedade de saberes que se autodeclaram científicos.

Tomemos como exemplo o Espiritismo, ele foi descrito como "uma ciência que trata da natureza, da origem e do destino dos Espíritos, e de suas relações com o mundo corporal”. A psicanálise, criada pelo médico, Sigmund Freud, foi descrita como "ciência do psiquismo humano". Tanto os termos “espíritos” quanto “psiquismo” têm a mesma origem na sigla “Psy”. Ela possui varias explicações, dentre as quais traduz a ideia de: alma, espírito, mente, psiquismo, cérebro, comportamento, personalidade.

O estudo de algo tão amplo torna o conhecimento mais generalista e menos preciso. Esse é um fator relevante e contrário a busca de "previsão e controle", critério fundamental buscado pelas ciências naturais.

São pontos importantes do conceito de Ciência:

1) Nenhuma ciência é um produto acabado, realizado por uma única pessoa, ou por um grupo específico. Um saber não se torna ciência porque seu criador o definiu como ciência. A ciência é um conhecimento colaborativo e, como tal, necessitava ser avaliado - criteriosa e criticamente - pela comunidade de pesquisadores independentes, mundo afora. Isso porque podem haver interesses econômicos e financeiros, e até de egos inflamados, por trás da vontade de se estabelecer algo como científico.

2) Mesmo os saberes detentores de corpo de conhecimentos metodologicamente organizados não se tornam ciência por esse motivo. A Astrologia é um exemplo, possui corpo de conhecimento organizado, se mantém viva há séculos, mas não tem embasamento (previsão e controle) para o reconhecimento científico.

Obter reconhecimento científico significa, detre outras coisas, deter poder de atuação como prova na Justiça, é o caso das análises de DNA, da Biologia; dos testes de balística, da Física; dos exames toxicológicos, da química; entre outros.

Saberes como Psicanálise, Espiritismo e Astrologia não figuram no campo das Ciências Naturais, mas no campo das Ciências Humanas - área de base teórica que estuda a produção do conhecimento humano. Inclui também a História, a Antropologia, a Linguística, entre outras disciplinas metodologicamente organizadas. Porém, pecam em muitos critérios de previsão e controle exigidos na validação científica dos dados.

"Ciência é, antes de tudo, um conjunto de atitudes. É uma disposição para lidar com fatos e não com o que foi dito por alguém a respeito deles." (Skinner, 1953).

Há três meio que possibilitam efetuar mudanças consistentes no comportamento humano, são eles:  
  • 1) por vias físicas, químicas e biológicas - é o caso das terapias medicamentosas, procedimentos cirúrgicos, tratamentos com eletrochoque e outras intervenções adotadas pela Medicina;
  • 2) por meio do autoconhecimento e de mudanças nos padrões de aprendizagens - é o modo de atuação das psicoterapias;
  • 3) por influência das práticas culturais - controle por Leis, seguimento de instruções e regras, condutas sociais e religiosas.

     Cada modo oferece vantagens e desvantagens, tanto no quesito eficiência e segurança, quando no quesito durabilidade. Por isso é importante avaliar esses aspectos, levando em conta cada caso e contexto.

    Por exemplo, os procedimentos aplicados nas Psicoterapias Breves, como hipnose e reestruturação cognitiva, podem proporcionar respostas rápidas, mas de baixa durabilidade na modificação do comportamento. Assim como a medicação, que é eficiente e rápida, mas demanda uso continuado e tem efeitos colaterais. Em contrapartida, a Psicoterapias Comportamentais podem demorar um pouco mais para mostrarem efeito - se comparados à medicação e as intervenções breves - mas promovem autoconhecimento e mudanças duráveis dos comportamentos tratados.

"O autoconhecimento tem um valor especial para o próprio indivíduo. Uma pessoa que se ‘tornou consciente de si mesma’, por meio de perguntas que lhe foram feitas, está em melhor posição de prever e controlar seu próprio comportamento." (Skinner, 1974).

    Na clínica individual, o psicólogo atua na via comportamental, trabalhando com procedimentos de modificação do comportamentos e promoção do autoconhecimento. O psiquiatra atua pela via bioquímica, prescrevendo medicamentos que atuem nas respostas fisiológicas do organismo. Enquanto o psicólogo social atua nas intervenções em educação, saúde, políticas públicas que possibilitem mudanças das práticas sociais - realizando campanhas e orientações para a prevenção e tratamento de doenças, promoção do bem estar e outras ações que atuem globalmente sobre a comunidade.

      É importante que essas três áreas estejam em consonância, pois estão interligadas na prática.

A Ciência do Comportamento

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A ciência do comportamento criou uma série de termos técnicos para descrever relações de controle do comportamento. Essas relações foram descobertos pela observação experimental da aprendizagem de novos comportamentos.

Neste texto, vou descrever as relações comportamentais mais simples, pois o entrelaçamento de comportamentos e a formação de cadeias comportamentais tornam a análise um trabalho exaustivo e complexo.

O texto vai ser ilustrado com exemplos tanto de pesquisas experimentais, como de situações da vida cotidiana. Todavia, é preciso deixar claro que as situações cotidianas são difíceis de avaliar e controlar, pois não temos acesso às aprendizagens anteriores dos participantes e nem o controle de todas as variáveis envolvidas que teríamos em experimentos controlados. 

A compreensão das operações controladoras do comportamento - de como os estímulos ambientais controlam o comportamento do organismo -  ajuda os analistas do comportamento a diagnosticar e a tratar os transtornos comportamentais, produzir novas metodologias de ensino, e melhorar as relações humanas nas mais variadas áreas.

Vamos, agora, entender os dois primeiros procedimentos básicos de controle do comportamento, chamados de "ReforçamentoPunição" do Comportamento.

As gaiolas e os gatos

Uma das primeiras pesquisas a sinalizar “o poder das consequências” na produção e manutenção da aprendizagem, foi realizada por Thordike (se pronuncia “torn daique”), na época, estudante de psicologia.

O experimento de Thordike consistiu em desenvolver gaiolas quebra cabeças para estudar a aprendizagem dos animais. Ele usou gatos domésticos como sujeito experimentais e observou o comportamento dos gatos, após serem colocados dentro dessas gaiolas.

Cada gaiola era projetada para abrir, caso o gato conseguisse seguir uma série de procedimentos, como baixar alavancas, puxar cordões e empurrar botões (cada gaiola tinha uma sequência específica). Ao conseguir realizar a sequência, a porta abria e o gato saia da gaiola, se deparando com um prato de leite à sua espera.

Quando um gato conseguia executar corretamente a sequência da gaiola, ele repetia o feito bem mais rápido nas tentativas seguintes. Era como se ele “decorasse a sequencia”. Esse fenômeno chamou atenção do pesquisador.

As operações, ou sequências, que levavam o gato a sair da gaiola tinham efeito sobre a aprendizagem do bichano, fazendo com que ele as repetissem em situações posteriores. Throdike deu a essa descoberta o nome de “Lei do Efeito”.

Essa foi uma das primeiras observações científicas a mostrar que a chave para a seleção do comportamento estava nas consequências da interação do organismo com o ambiente. Até mesmo os comportamentos instintivos - aqueles apresentados pela espécie - como piscar os olhos, salivar, tossir, dilatar e contrair a pupila, poderiam ser passíveis de sofrer alterações pela influência do meio.

REFORÇAMENTO

Primeiramente, devemos entender o “reforçamento” como uma função, e não como algo fixo. Para tanto, necessitamos de dados sobre o organismo e sobre o contexto ambiental, só assim vamos conseguir compreender o que controla os comportamentos. 

O "Reforçamento" acontece quando uma resposta ao ambiente (ação, sentimento, pensamento) é seguida por uma consequência que promove o aumento da emissão daquela resposta em situações seguintes. Isto é, reforçar o comportamento é aumentar a freqüência de um comportamento pela apresentação de uma conseqüência reforçadora.

Veja só. Essa definição do reforço como uma "função", nos obriga a analisar cada caso específico para identificar as consequências reforçadoras de cada comportamento. Não podemos simplesmente preestabelecer: “Chocolate é um reforçador do comportamento”. Isso seria uma generalização equivocada.

O que podemos fazer é descobrir que “chocolate é um reforçador do comportamento do Pedrinho, principalmente, próximo ao horário do recreio”. Nessa afirmativa estamos usando dados coletados sobre o Pedrinho, enquanto que na primeira, estávamos apenas fazendo uma generalização inconsistente sobre o estímulo chocolate. Essas generalizações são muito comuns nas psicologias do senso comum, mas não são suportadas no meio científico.

Vejamos alguns outros exemplos do Reforçamento:

Exemplo 1 - É possível controlar o comportamento de um sujeito experimental - rato, pombo, abelha, peixe, cão, pessoa - liberando comida após ele emitir o comportamento de "tocar em uma barra vermelha". Medimos quantas vezes ele toca na barra sem receber qualquer consequência e, depois, passamos a liberar poções de comida após cada toque na barra. Quanto mais o sujeito estiver privado do estímulo reforçador - comida, água, atenção, elogio, carinho, etc. - mais a consequência fortalecerá a emissão do comportamento reforçado.

A privação é uma das condições do organismo que aumentam o poder de controle da consequência "comida, água, atenção, etc." -  na qual o organismo encontra-se privado. Se o sujeito estivesse “de barriga cheia” ele poderia simplesmente ficar dormindo e não emitir o comportamento. Já privado de comida, ele será impelido (motivado) a se comportar. Isto é, tende a emitir mais comportamentos, como andar, cheirar, produzir sons, falar, olhar, etc.

Um detalhe importante: não é necessário o sujeito “ter consciência” de que seu comportamento está sendo reforçado - controlado. Uma pessoa pode diminuir o passo ao passar em frente a uma padaria, sem se dar conta de que o cheiro do pão a fez "diminuir o passo". A maioria dos nossos comportamentos são controlados sem que tenhamos consciência do que nos controla. Talvez. daí venha o fascínio das pessoas em aprender mais sobre o comportamento humano.

Uma estratégia muito comum em Shopping Centers é usar musica ambiente com ritmo lento e tranquilo e bloquear a passagem de luz solar para que os clientes "percam a noção do tempo". Pois a probabilidade de realizar compras está diretamente associada ao tempo que os clientes permanecem no Shopping.

Exemplo 2 - É possível controlar o comportamento de um grupo de crianças na escola, afirmando que “se fizerem a tarefa” (condição), vão ganhar 10 minutos a mais de recreio (consequência). Neste caso, o recreio deve ser um evento reforçador na história de aprendizagem do grupo de crianças. Não funcionaria para a criança que frequenta o primeiro dia de aula, tão pouco, para a criança que sofre bullying no recreio.

Note como os dois exemplos são bem distintos. No primeiro caso, usamos como reforçador um estímulo primário, a comida. No segundo, o reforçador foi algo previamente aprendido, a palavra (promessa) usada para indicar uma consequência futura, ganhar mais tempo de recreio.

Exemplo 3 - Nesse engenhoso experimento, realizado no Brasil, na década de 1960. O doutorando, Isaias Pessoti, modela o comportamento de abelhas que precisam baixar uma alavanca vermelha para terem acesso a água com açúcar. O experimento filmado, passo a passo, serve também para combater a noção leiga de associar o "controle do comportamento" a um tipo de "manipulação ou poder".

Para a Ciência do Comportamento o "controle do comportamento" é apenas um termo que nós faz buscar compreender o porquê o organismo age de determinada maneira. No caso das abelhas do experimento, elas apenas fizeram o que fariam na natureza, ou seja, aprenderam interagindo e sendo sensível às consequências, assim como os gatos de Thorndike.

Reforçando o Comportamento Humano

O ambiente é o fornecedor das conseqüências - portanto, o organismo responde se comportamento frente aos estímulos ambientais. Toda aprendizagem é comportamento, mas nem todo comportamento é aprendido, ainda que possa ter a sua frequência afetada pelo meio. 

Não há como analisar o comportamento de um organismo separando-o do ambiente, pois o comportamento é uma resposta ao esse ambiente estimulador.

Todos nós somos controlados pelos estímulos ambientais, sejam eles externos - palavras, calor, placas, olhares,  ou internos - fome, dor, sede, pensamentos. Quando o estímulo não produz comportamento, ele não é considerado ambiente comportamental. Perceba, aqui, o conceito de “ambiente” difere do da biologia, pois o ambiente comportamental se refere aos estímulos produtores de comportamentos.

Ambientes empobrecidos produzem baixa estimulação e conduzem a pouca variabilidade comportamental. O comportamento é, portanto, decorrente da interação do organismo com o meio, nunca pode ser analisado isolado desse contexto.

Três Observações Importantes

1 - Pensamentos, sentimentos e até sintomas podem ser comportamentos. Mas são comportamentos privados - dependemos dos relatos verbais, ou gestos, da pessoa para termos acesso a eles.

2 - É comum o uso do termo “recompensa” ao se falar em “consequência reforçadora”, mas esse termo é impreciso e induz o pensamento de que determinados estímulos são, por si só, reforçadores (exemplo do chocolate). Mas nem mesmo a água será reforçadora caso a pessoa tenha acabado de beber água, ou se estiver sob controle de outras variáveis, como, por exemplo, a orientação do médico para não beber líquido por doze horas.

3 - Dizer que “o meio seleciona o comportamento”, não significa dizer que o organismo é passivo e o meio é determinante. Não existe esse determinismo, uma vez que o organismo pode estar, ou não, predisposto, ou sensível ao controle do ambiente. Não temos como prever o que é, ou não é, reforçador para uma pessoa, e em qual momento.  Podemos apenas deduzir e testar.

A Análise do Comportamento é uma ciência natural de base experimental. Ela se  diferencia cientificamente das demais psicologias por se propor a testar as afirmativas sobre as causas do comportamento humano. 

Analisar o comportamento humano implica, primeiramente, conhecer mais a fundo os padrões de comportamento de uma pessoa. Muitas vezes, só teremos acesso aos seus gestos e ao seu relato verbal. O problema é que a fala também pode estar sendo controlada por outras variáveis, por exemplo:

Um jovem - que tem namorada - marca um encontro com uma garota, usando um aplicativo de celular. Ao se encontrarem, o papo do garoto não corresponderá ao que ele realmente sente, pensa e faz. Ele estará interpretando ser uma pessoa solteira. A garota, por sua vez, só poderá tirar suas conclusões, baseada nesses relatos distorcidos e manipulados. Assim como o terapeuta, caso a garota já tenha sido “treinada” (ter sido enganada por paqueras anteriores), pode ser que tenha aprendido a ser mais perspicaz nas perguntas e perceber algumas contradições nos relatos do garoto. Já uma garota vinda de um meio no qual a verdade e honestidade sejam condutas comuns e compartilhadas, ela pode ser mais facilmente enganada, por simplesmente confiar.

Note que o entendimento dos comportamentos nas situações da vida diária não são tão precisos quanto nas situações controladas por experimentos. A garota que foi enganada por confiar demais, se torna mais passível de não confiar tanto. Julgar se “confiar ou desconfiar” é bom ou ruim, é algo impreciso e tendencioso. Por isso, o foco das análises comportamentais é na função dos comportamentos e nas suas consequências - a curto, médio e longo prazo - e não no julgamento das condutas adotadas, pois casa situação e contexto são diferentes.

Resumindo Reforçamento

Reforçar é aumentar a frequência de um comportamento. O Reforçamento da resposta é dependente de uma consequência reforçadora. É a consequência que controlará o aumento da emissão do comportamento em eventos futuros.

Só saberemos se o comportamento foi reforçado se a frequência dele aumentar, no futuro. Caso diminua, então, a consequência pode ter sido punitiva, tema do nosso próximo tópico.

* Os comportamentos humanos, emitidos em situações não experimentais são complexos e sofrem influência de muitas variáveis não percebidas por quem se comporta. O trabalho do analista do comportamento - aqui na função de terapeuta - é ajudar o paciente a identificar esses controladores e promover o autoconhecimento e a modificação dos comportamentos por meio da ampliação da consciência dessas relações comportamentais.

PUNIÇÃO

Acesse aqui a continuação: 

http://comportamento.net/2016/09/punicao/