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hipnoseA hipnoterapia é a utilização da hipnose como coadjuvante no tratamento de problemas de saúde.

O procedimento pode ter sucesso onde métodos convencionais de tratamento falharam, mas a falha no uso dessa ferramenta pode produzir desesperança e diminuir a motivação para superar o problema. Por isso é necessário experiência profissional, conhecimento psicológico e psicopatológico aprofundados, para que não se criem falsas esperanças no tratamento.

A hipnose é um procedimento verbal usado para controle imediato do comportamento. Isso a torna especialmente eficiente em situações pontuais, na qual se faz necessário o controle momentâneo  do comportamento, não sendo a melhor opção quando o objetivo for a mudança de comportamentos de maneira duradoura. Esse ponto é, muitas vezes, ignorado por terapeutas que usam a hipnose como principal ferramenta de terapia. O paciente deve ser informado das possibilidades e limites da hipnose, deixando claro não existir cura instantânea.

A hipnose é uma técnica de intervenção, não é método de análise. Portanto, produz pouco conhecimento confiável sobre as causas do problema. Esses fatores relativos às causas e a manutenção dos sintomas devem ser minuciosamente analisados e compreendidos (função da terapia sem hipnose) para que mudanças duradouras sejam obtidas.

Uma das principais vantagens da hipnose é seu uso nas "terapias breves". Modalidade indicada para situações emergenciais, ou que não é possível realizar o tratamento analítico convencional. Isso torna a hipnoterapia um recurso especialmente útil para o uso clínico-hospitalar e nas situações de crises e emergências.

Escrito por Leon Vasconcelos, PsyD. Fundador Comportamento.Net

hipnose_fortaleza_Leon_Vasconcelos_comportamento.netO que é Hipnose Clínica

É um procedimento que busca alterar a percepção das sensações (controle de estímulos) por meio do controle verbal, feito pelo terapeuta. Durante esse procedimento o comportamento do hipnotizado se torna mais sensível às instruções (comando e descrições) do terapeuta, sobrepondo-se às estimulações do ambiente físico (vídeo).

Indicações

Nas clínicas e hospitais, pode ser usada por pessoas sensíveis aos estímulos de exames e tratamentos médicos dos mais variados, tais como: exame de sangue, tomografias e ressonâncias, punções, hemodiálise, tratamento de fraturas e queimaduras, tratamentos de câncer, tratamentos dentários, entre outros.

Limites

O controle exercido pelo profissional de saúde, aplicador da hipnose clínica, é momentâneo e circunscrito à situação específica. Os efeitos da sugestão hipnótica tendem a desvanecer com o término da aplicação. Necessitando ser aplicado novamente, até a finalização do tratamento.

Como é usada na Psicoterapia

Pode ser usada nas terapias breves e nos casos de atendimentos de crises e emergências. Na psicoterapia convencional – que visa mudanças duradouras do comportamento  - o uso da hipnose é limitado e restrito a ativação comportamental (método que ajuda a identificação de classes de comportamentos problemáticos).

O que a hipnose não é

Não é uma terapia independente, sendo necessária uma abordagem psicológica e não apenas a aplicação da técnica. O procedimento é coadjuvante, ou auxiliar, ao tratamento médico e psicológico. Confusões acontecem quando pessoas sem a devida preparação - técnica, ética e emocional - aprendem a técnica e ficam vislumbradas com os efeitos momentâneos do procedimento. Assim, movidas por uma sensação ilusória de poder, passam a acreditar poder realizar curas e tratar as pessoas. A redução dos sintomas, no curto prazo, relatada pelos clientes, como sensações de melhoria e bem estar, pode produzir dupla ilusão de cura, tanto no cliente, como no terapeuta (*Eficácia Percebida). Não podemos falar em eficácia clínica de método algum quando a "avaliação da eficácia" não for um procedimento bem elaborado e rigoroso. Pois é ela que fornecerá os dados quantitativos e qualitativos para a devida avaliação no curto, médio e longo prazos, do tratamento e de sua eficácia clínica.
* Este efeito de “eficácia percebida” é um viés que deve ser controlado para evitar a ilusão de eficácia. Ele pode ser demonstrado no estudo com um grupo de mulheres idosas, submetidas ao tratamento de rejuvenescimento fácial por acupuntura**. Fotos das rugas faciais foram batidas antes e depois das intervenções. Após três meses de tratamento, tanto as mulheres quanto o terapeuta, estavam convictos das mudanças ocorridas. Eles olhavam as fotos e "viam claramente as mudanças" . Porém, o supervisor e outras pessoas não participantes do estudo não notavam qualquer diferença, no antes e depois. A contagem das rugas também não havia mudado e esse efeito de melhora subjetiva foi chamado de “eficácia percebida”. A relação de acolhimento e vínculo positivo entre as voluntárias e o terapeuta é provavelmente o principal responsável pela mudança na percepção das pessoas envolvidas (tal como acontece na hipnose), fazendo-as acreditarem - e verem - mudanças físicas onde essas não ocorreram. Por outro lado, a “eficácia clínica” seria observação consensualmente verificáveis das mudanças fisiológicas ou comportamentais quantificáveis no curto, médio e longo prazo. **Fonte: http://bdtd.ibict.br/vufind/Record/UFOR_55ec48218f6fdc65585189efe29242f8/Description#tabnav

 Leon Vasconcelos, Psy.D. psicólogo clínico fundador Comportamento.Net

hipnose alucMuito se fala sobre o potencial da hipnose de reavivar memórias há muito esquecidas no tempo, mas seria mesmo a hipnose capaz de realizar tal façanha?

O primeiro passo para responder a essa questão é compreender como funciona a memória, um fenômeno psicológico complexo sensível a influência das novas informações e do esquecimento, ou distorção de fatos passados.

Primeiro, esqueça o mito do "inconsciente não esquece nada", ele não só esquece, como também distorce e constrói lembranças de fatos que nunca aconteceram. Além disso, não há um local específico no cérebro, ou no inconsciente, onde ficam armazenados os dados brutos da memória. Diante de um novo estímulo, várias áreas do cérebro codificam a informação, dando-lhe significado para ser lembrada na memória de curto e longo prazo.

Um dos fatores importantes ao se tentar recuperar memórias através da hipnose é a “influência da sugestão”, uma variável que já pregou peça em alguns pesquisadores que tentaram estudar o assunto. Em 1949, Robert True realizou um experimento com voluntários. Após serem hipnotizados, os voluntários receberam sugestões de regressão ao dia de Natal, quando tinham 10, 7 e 4 anos de idade. Os voluntários foram questionados sobre qual dia da semana era aquele dia de Natal. Ao acaso a chance de se acertar a resposta é de 1 em 7 tentativas. No entanto, de maneira extraordinária, 82% dos hipnotizados de Robert acertaram as respostas.

Outros pesquisadores tentaram reproduzir em vão os resultados, de True. Até que, em 1982, quando Martin Orne perguntou a True, o porquê, dessa discrepância, ele respondeu que a Revista Science havia encurtado a pergunta da pesquisa para “Que dia da semana é?” Mas, na verdade, o que ele havia feito foi perguntar as pessoas sob regressão hipnótica: “É segunda-feira?”, “É terça-feira?” e assim por diante, até que o voluntário respondesse “sim”. Orne perguntou se True sabia o dia da semana ao fazer a pergunta. E True respondeu afirmativamente. Embora não tivesse entendido o motivo da pergunta de Orne (Myers, 1999).

O motivo de Martin Orne ter perguntado era simples, o experimento de True parecia um ótimo exemplo de como o hipnotizador pode sutilmente influenciar as respostas do hipnotizado (e, de um modo em geral, como os pesquisadores podem sutilmente expressar suas expectativas. “Tendo em vista a ansiedade do hipnotizado em atender aos pedidos que lhe são feitos”, presumiu Orne, é preciso apenas uma mínima mudança de inflexão (ao perguntar “é quarta-feira?”) para que a pessoa responda “Sim”. (Myers, 1999, p.159).

O golpe final contra os experimentos de True aconteceu quando Orne realizou outro experimento. Ele perguntou a crianças de 4 anos de idade, "que dia da semana era?". Para sua surpresa, nenhuma sabia. A sua conclusão foi: "se crianças de 4 anos geralmente não sabem dizer em qual o dia da semana estão, então, os adultos hipnotizados de True, forneciam informações que provavelmente não sabiam quando tinham 4 anos de idade." (Myers, 1999.). Isso fortaleceu a ideia de que as memórias eram construídas a partir da relação com o hipnotizado e não resgatadas da memória dos hipnotizados.

escrito por Leon Vasconcelos Lopes

Referência: Myers, D. Introdução à Psicologia Geral, LTC: Rio de Janeiro,  1999.

Médicos da escola médica da Universidade de Yale testaram se a hipnose poderia ser usada para reduzir a ansiedade a em um pequeno grupo de adultos, minutos antes de serem submetidos a cirurgias de ambulatório.

Conclusão: a hipnose funcionou. Após uma sessão de hipnose os pacientes ficaram menos ansiosos com a operação do que estavam há apenas meia hora.

Por que a tensão antes da cirurgia é ruim?

Segundo os pesquisadores, esta tensão está associada a um aumento da dor e da necessidade de analgésicos, além de estadias mais prolongadas no hospital depois da cirurgia. "Esperamos que através do uso (no pré-operatório) de modificação comportamental tal como programas de hipnose, podemos nos livrar da complicações do pós-operatório", afirma a Dra. Haleh Saadat, professora assistente de anestesiologia da escola médica da Universidade de Yale.

O estudo de Saadat incluiu 76 pacientes com históricos similares. Eles foram abordados numa sala de espera antes de qualquer cirurgia de ambulatório. Primeiramente, os pacientes foram submetidos a uma pesquisa a fim de avaliar o grau de ansiedade. Depois, 26 pacientes foram submetidos a uma sessão de hipnose de 25-30 minutos. Outros 26 pacientes obteram atenção e apoio durante o mesmo período de tempo. Para comparação, 24 outros pacientes ficaram apenas sentados durante meia hora, sem hipnose ou atenção especial.

Depois disso, todos os pacientes se submeteram às pesquisas novamente. A pesquisa foi realizada uma terceira vez — minutos antes da cirurgia, na sala de operações, onde "eles viam os bisturis e todo material cirúrgico", disse Saadat. As pesquisas demonstraram que os pacientes ficaram menos ansiosos após a hipnose, mesmo na sala de operações.

Logo após a hipnose, os níveis de ansiedade eram 68% menores do que na sala de espera. Na sala de operações, os níveis de ansiedade do grupo de hipnose foram ainda menores do que a metade do que originalmente apresentaram, afirma Saadat.

A atenção e o apoio dispensado aos pacientes ajudou um pouco no início, cortando a ansiedade em 10%. Mas o efeito desaparecia na sala de operações, quando o nível de ansiedade dos pacientes ficava 10% além do que estava na sala de espera.

O grupo de comparação foi o que mais ficou ansioso. O nível de ansiedade deste grupo subiram 17% na segunda pesquisa e depois disparou para níveis elevados, sendo 47% mais altos na sala de operações do que na sala de espera. "Em nosso estudo procuramos diminuir a ansiedade", diz. "Apresentamos aos pacientes a sugestão de bem estar e de relaxamento enquanto estavam em transe".

A equipe de Saadat afirma que a hipnose foi "eficaz" no tratamento da ansiedade, convidando outros pesquisadores a realizar mais estudos para confirmar suas conclusões.

A Dra. Saadat e seus associados já estão trabalhando em outro estudo com o objetivo de verificar se a hipnose antes de cirurgias diminui a dor, a náusea e os vômitos após as operações. Ela espera que os resultados estejam disponíveis daqui a um ano.

Fonte: www.webmd.com

OBS.: Esta pesquisa mostrou a eficácia no uso pontual para controle da ansiedade e não no tratamento do transtorno de ansiedade.  Em recente revisão dos estudos em terapia, o uso da hipnose no tratamento dos Transtorno de Ansiedade não trouxe benefícios duradouros, não sendo o tratamento recomendado. (Nota do Editor)

Pesquisador canadense realizando pesquisa das resposta à hipnose, usando um tomógrafo Petscanner