Leon Vasconcelos/ Setembro 8, 2011/ Publicações

Nos últimos vinte anos, houve uma diminuição de mortes causadas por doenças infecciosas nos países mais industrializados e ricos, devido a aquisição de hábitos higiênicos, como beber água tratada, tomar vacinas, usar roupas e equipamentos de proteção.

No Brasil essas doenças também diminuíram e a expectativa de vida do homem adulto é hoje bem maior. No entanto, as doenças infecciosas foram substituídas por doenças como as cardiovasculares, o câncer, a dor crônica, depressão, diabetes, entre outras doenças em que fatores comportamentais aparecem em sua origem, desse modo são consideradas “doenças do estilo de vida”.

Pesquisas mostram que muitas pessoas com queixas de dores estavam passando por uma fase de problemas familiares, emocionais e estresse. Essas conclusões permitiram que as consultas para esse tipo de paciente fossem mais detalhadas e os médicos evitassem internações desnecessárias. Outras formas de intervenção eram necessárias.

A denominação atual desse tipo de comportamento é “somatização”. Esse distúrbio é caracterizado por um padrão de comportamento no qual a angústia e a aflição são relatadas como queixas de sintomas físicos vagos ou gerais como: dor, gastrite, fadiga, sem uma causa orgânica. Essas pessoas, segundo pesquisas, têm mais dias de incapacitação, mais queixas físicas, interações sociais reduzidas e disfuncionais. E custam ao hospital nove vezes mais do que a média dos pacientes.

A somatização por ser explicada como uma deficiência de aprendizagem, o qual repercute no relato de queixas físicas sem causa orgânica. Isso acontece porque a pessoa não aprendeu a identificar a diferença entre físico e emocional e nomeá-los adequadamente.  Pode também ter acontecido porque, em sua história de vida, era mais aceito o relato de dor física e muito pouco ensinado e aceito o relato emocional.

Portanto, o relato de estados internos e sua nomeação não foram adequadamente aprendidos.  A análise das condições nas quais aparece esse padrão de comportamento de queixar-se é deficiente, isso provoca um círculo vicioso e o paciente julga-se incompreendido e frustrado, quando não medicado, ou internado, tornando o seu estresse maior e os sintomas relatados mais numerosos. Além disso, o seu relato se assemelha ao da pessoa deprimida, pois torna-se acrescido de desamparo e fadiga.

Texto adaptado de: Rangé Bernard. Psicoterapia comportamental e
cognitiva. Medicina Comportamental, Rachei RodrigueS Kerbauy, RJ.

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