Hipnose Clínica: a mãe das psicoterapias

Em 1780, o médico austríaco, Anton Mesmer, causou exaltação na Sociedade Médica de Paris ao apresentar para o mundo um tratamento que não dependia de remédios, nem de cirurgias. Mesmer havia desenvolvido a primeira psicoterapia da história, feita com ajuda da hipnose. A sua invenção lhe rendeu fama, riqueza e muitas inimizades. Polêmico e impetuoso, Mesmer atendia a elite parisiense, inclusive a própria Rainha, e também realizava sessões gratuitas para pobres e indigentes. A sua popularidade foi às alturas e ele passou a ensinar a sua terapia em uma escola própria e independente, e também para não médicos, o que revoltou muitos dos seus colegas de profissão.

Havia uma relação de amor e ódio, quem usava a técnica ficava fascinado com os resultados e os publicavam em revista especializada. Já os críticos, investiam alto em movimentos para a difamação da terapia, e foi daí que nasceu a “hipnose de palco”. Ela era uma sátira teatral, onde atores interpretavam hipnotizadores com orelhas de burro e realizavam as coisas absurdas, sempre com objetivo de fazer as pessoas rirem e desacreditarem na terapia de Mesmer.

Por outro lado, nos hospitais e clínicas européias, a hipnose passou a ser usada como anestesia em cirurgias –  não havia anestésicos químicos – e para tratar uma variedade de doenças, sem haver distinção entre doenças orgânicas e mentais. Data deste período, os primeiros relatos do uso da hipnose para abreviar a cura de fraturas e ferimentos, condições consideradas estritamente orgânicas e que questionavam a separação entre mente e corpo.

Pesquisas recentes realizadas em Harvard1, confirmaram a propriedade da hipnose reduzir a dor e facilitar a cura de ferimentos, fraturas ósseas e queimaduras, embora a visão física e medicamentosa continue sendo oferecida como a única opção. Desde Mesmer, evidências clínicas sugeriam haver influencias psicológicas na maioria das doenças, embora até hoje tenha se feito pouco caso, diante da soberania das drogas e das cirurgias.

A psiquiatria também herdou o predomínio dos aspectos bioquímicos, visando controlar os transtornos do comportamento por meio de drogas. Por outro lado, a hipnose, unida a terapia comportamental, avalia os transtornos a partir das teorias da aprendizagem, buscando a superação das limitações por meio de modificações na aprendizagem, nos sentimentos e na percepção da realidade, o que diminui a dependência de medicamentos.

Com mais de 200 anos de existência, a hipnose e umas das terapias mais pesquisadas cientificamente2, e mostra resultados positivos em uma larga variedade de enfermidades. Mesmo rodeada de mitos e sensacionalismos, ela retorna ao centro das atenções científicas como ferramenta estratégica para abreviação dos tratamentos psicológicos e coadjuvante em diversos tratamentos de saúde, que podem ir de compulsões a dores crônicas.

Leon Vasconcelos Lopes, Psy Ms.
psicólogo clínico

Referências:
GINANDES, C. S.; ROSENTHAL, D. I. Using hypnosis to accelerate the
healing of bone fractures: a randomized controlled pillot study. Alternative
therapies in health medicine, v.5, n.3, 1999.
NASH, M. R. The Status of Hypnosis as an Empirically Validated Clinical
Intervention: a preamble to the special issue. IJCEH, v.48, n.2, April, 2000.

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