Leon Vasconcelos/ Junho 11, 2012/ Publicações

As fobias animais são um tipo de transtorno psicológico caracterizado pelo medo intenso e irracional de algum animal ou, em alguns casos, de alguns dos seus componentes, como penas, pêlos e escamas.  Devido à existência de uma grande variedade desses medos, os psicólogos e psiquiatras tiveram que agrupá-los em categorias para facilitar a sua compreensão e tratamento.

É possível desenvolver uma fobia de qualquer coisa, incluindo qualquer tipo de animal. No entanto, algumas fobias de animais são muito mais comuns do que outras, isso fez com que surgissem diferentes explicações para esses medos extremos.

Sabe-se que se você colocar um rato em uma caixa com uma cobra, o rato ficará em alerta e paralisado ao sentir o cheiro da cobra, mesmo que ele nunca tenha se deparado com uma cobra anteriormente. A teoria evolutiva defende que os ratos ancestrais, que nasceram com um gene de alerta ao cheiro de cobras, conseguiram sobreviver mais do que os que não possuíam este gene. Tal fato, fez com que esse tipo específico de resposta fosse selecionado na comunidade de roedores, tornando-se um traço dominante milhares de gerações depois.

No caso dos seres humanos, a teoria evolucionista esbarra em controvérsias, pois as fobias a baratas, ratos, aranhas e cobras, são muito mais comuns do que fobias a leões, ursos, tigres e crocodilos, animais esses que representaram reais ameaças a vida de nossos ancestrais.

Alguns estudos sobre atenção indicam que os seres humanos tendem a observar mais animais como cobras, aranhas, lagartos, mas não necessariamente a temê-los. Esses indícios passaram a colocar a cultura no banco dos réus, sendo ela principal suspeita para a prevalência das fobias, e não os genes.

Seja pela comunicação de pessoa a pessoa, por um filme, ou pela religião, as informações são difundidas e influenciam a compreensão sobre os animais, dando margem para a massificação dos mitos e temores exagerados sobre certos animais. É o caso do famoso medo de piranhas e de tubarões nos filmes de Hollywood, ou do papel malicioso e sorrateiro da serpente, no mito de Adão e Eva.

Ao longo da história, vários animais se tornaram protagonistas em superstições e lendas, assim como nas crenças religiosas. Cobras são fortemente caracterizadas no folclore que vão desde o bíblico Jardim do Éden às práticas vodu. Assim como as aves que são muitas vezes consideradas um presságio de morte.

A Análise do Comportamento

Indo além das especulações sobre as origens das fobias, o mais importante para um analista do comportamento é compreender como as fobias funcionam e, principalmente, como tratá-las.

Como a incidência de fobias na população pode chegar a 10%, várias técnicas de cura rápida para fobias são exploradas pela mídia, mas poucas são realmente eficazes e algumas podem , inclusive, piorar a situação.

Assim como qualquer transtorno psicológico, para que um comportamento seja considerado “fóbico”, ele precisa ser diagnosticado por um psicólogo, ou psiquiatra. As pessoas sem capacitação em saúde mental não estão habilitados a traçar diagnósticos, mas é muito comum o uso do termo “fobia” no âmbito do conhecimento popular, sendo que tais descrições não garantem precisão às informações e, no máximo, se referem a alguém que evita ou teme alguma coisa. Isso é importante, porque, às vezes, até mesmo um psicólogo pode errar o diagnostico de um transtorno, caso ele não tenha especialização e experiência clínica.

A fobia pode ter vários graus de comprometimento da saúde e esta avaliação, juntamente com os fatores ambientais e familiares, devem ser levados em consideração para ajudar no tratamento.

Para o estabelecimento de um “tratamento psicológico”, é fundamental a existência de um diagnóstico, para que, a partir dele, se escolha uma metodologia de intervenção, e se possa avaliar e acompanhar o andamento do paciente por um período de seis meses a ano, ou mais.

Cura de Fobia ou Inibição de Resposta?

Você liga a televisão e está passando aquele programa de auditório sensacionalista. O apresentador ameaça jogar uma caixa cheia de baratas sobre uma pessoa da platéia, que tenta fugir mostrando sinais de medo. Depois o apresentador diz para ninguém se preocupar, porque o “especialista”, Mister X, vai usar uma técnica especial – geralmente a hipnose –  para curar a fobia da garota, em poucos segundos. No final do programa, a mulher que tentava fugir do apresentador, encontra-se diante de uma caixa com baratas, talvez sendo até capaz de tocar numa delas. O Mister X completa sua apresentação, dizendo que aquilo é algo bem simples e que qualquer medo pode ser curado instantaneamente, usando uma técnica específica – criada, ou vendida – por ele.

Esta foi uma cena com qual me deparei um tempo atrás, ao ligar a TV numa tarde de domingo. Mas afinal, como explicar algo tão sensacional?

Voltando aos aspectos destacados no texto, a primeira pergunta que você deve se fazer, é a seguinte: “Qual mulher não relutaria ao se deparar com alguém que ameaça jogar baratas sobre ela?” Provavelmente, todas.

Partindo do pressuposto que a fobia provoca um medo incapacitante, uma pessoa realmente com fobia jamais se exporia a tal situação e de maneira tão ridícula. Mesmo que, supostamente, uma pessoa realmente fóbica fosse convencida de participar de um programa desse tipo, a técnica utilizada pelo Mister X, cumpre o objetivo de induzir o que chamamos de “Inibição de Resposta”, que é uma resposta contrária ao estado de ansiedade.

Para isso, a hipnose é muito útil e é um dos motivos de ser usada em tratamentos psicológicos. No entanto, os especialistas são categóricos, a hipnose não é uma terapia, mas uma ferramenta técnica que usa a sugestão para gerar uma resposta específica, neste caso, a resposta de relaxamento.

Durante o procedimento, a produção de relaxamento diminuiu a ansiedade, e o desafio na TV,pode funcionar como elemento motivacional para a voluntária a se aproximar do animal temido. Temos aí, o que é chamado de Inibição de Resposta, frente a um Estímulo Discriminativo. Traduzindo, significa que a resposta de ansiedade fóbica é inibida (Inibição de Resposta) perante o uso do relaxamento sugerido por hipnose no ambiente de estúdio de tv (Estímulo Discriminativo). O Estímulo Discriminativo é tudo que causa uma mudança específica no seu comportamento, por exemplo, você está conversando sobre sexo com uma amiga e sua mãe entra repentinamente no quarto, rapidamente, você muda o teor da conversa. A sua mãe funcionou como Estímulo Discriminativo para inibir uma resposta – o relato verbal sobre sexo.

A Inibição de Resposta realizada na TV, ou em qualquer outro local, não garante que o comportamento se mantenha posteriormente, numa situação cotidiana. Já o tratamento, ele é direcionado para que a pessoa modifique seu comportamento em situações reais, o que envolve não só a inibição da resposta de ansiedade, como também, a reaprendizagem sobre o animal, conhecimento sobre o seu próprio comportamento,  avaliação se é um problema específico, ou se existem comorbidades (outros transtornos associados). A hipnose pode ajudar a abreviar o tratamento das fobias, assim como pode ajudar a alguém a diminuir o medo de dirigir automóveis, mas ela jamais pode substituir, ou criar magicamente, a aprendizagem que é necessária para a correta execução dessas tarefas.

As fases da psicoterapia são:

Diagnóstico e grau da Fobia; Psicoeducação – Explicação sobre a doença e como ela se mantém; Intervenção – práticas de técnicas de relaxamento, hipnose, EMDR, biofeedback, confrontação cognitiva e modificação de crenças, Role Play, dessensibilização sistemática, acompanhamento com reforço positivo, prevenção de recaída; Avaliação e Finalização, que compara não o antes com o depois, mas o dignóstico inicial bem detalhado com o resultado esperado e mostra a evolução de um estágio ao outro.

Por fim, é importante lembrar que, por mais simples que possa parecer para quem não tem medo, a fobia é uma doença mental e não se deve tratar a pessoa com este transtorno de “fresca, encenadora, exagerada, que quer aparecer” e adjetivos do gênero. Jamais se deve tentar tratar uma fobia “na marra, ou a força”, há sérios riscos de se agravar o quadro clínico e os sintomas passarem para algo mais incapacitante, como síndrome do pânico, ou mesmo fobia social.

O quanto antes se buscar tratar a fobia, melhor, pois a demora no tratamento, além de significar um sofrimento crônico, pode reforçar a fobia e deixá-las mais resistente ao tratamento, uma vez que o paciente vai criando uma série de pretextos mentais para justificar o seu medo.

Na dúvida, procure um profissional especializado e evite procedimentos alternativos.

Dr Leon Vasconcelos, Psy Ms.
Diretor da Comportamento.Net
Fortaleza – Ceará

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