Conhecimento Conceitual e Esquemas Mentais

 

Os Esquemas Cognitivos, ou Esquemas Mentais, são estruturas de representação que contém categorias de organização das informações da nossa memória. Quando alguém menciona a palavra “comida”, temos uma ideia aproximada do objeto que está sendo referido.

Se estivermos no cinema, provavelmente, pensamos em pipocas; se estivermos no shopping, pensamos em fast-food, e no trabalho, pensamos no almoço. Tal fato torna o contexto um elemento importante para o comportamento de classificação que varia continuamente, não só com as propriedades dos próprios objetos em si, como também com relação ao contexto.

Os esquemas codificam nosso conhecimento sobre diversas categorias de objetos. O estudo dos esquemas mentais servem para a compreensão de como as pessoas raciocinam sobre conceitos. Uma categoria armazena informações previsíveis sobre instâncias dos objetos nela associados.

As primeiras pesquisas sobre os Esquemas foram realizadas por Rosch. Em um estudo, ela solicitou que pessoas classificassem o quão comum eram diferentes os membros de uma mesma categoria, usando uma escala de 1 a 7. Sendo 1, o mais típico, e 7, o mais incomum, ou atípico.

Na categoria das aves, o pardal conseguiu uma classificação média de 1,1 e o frango de 3,8. Já na categoria esportes, o futebol obteve nota 1,2 (muito típico), enquanto o levantamento de peso obteve nota 4,7 (muito atípico).

Quando o objeto é considerado muito típico de uma categoria, as pessoas tendem a ser mais rápidas quando solicitadas a julgarem se uma figura pertence, ou não, a uma categoria. Por exemplo, a maçã é reconhecida mais rapidamente como fruta do que a melancia;  a cenoura é considerada verdura mais rapidamente do a que a salsa; o pardal é reconhecido mais rapidamente do que o frango, como uma ave.

Quando as pessoas pensam em um membro de uma categoria, geralmente pensam em instâncias típicas daquela categoria. (Os ilusionistas aprenderam a fazer uso desse processo psicológico para a elaboração de truques. Veja o truque da categoria clicando aqui).

Uma das curiosidades dos pesquisadores foi compreender os limites dos esquemas mentais. A figura abaixo foi usada por Labov (1973) em uma pesquisa que tentava descobrir quais itens seriam considerados xícaras e quais seriam considerados tigelas. Labov descobriu que à medida que as proporções iam mudando, as pessoas sentiam mais dificuldades em julgar o item como sendo ou não uma xícara, uma tigela, ou copo.

As xícaras decresceram com o aumento do diâmetro, mas não havia um ponto exato para xícara ser chamada de tigela, e vice versa. Contudo, quando se pedia para os voluntários imaginassem o objeto cheio de purê de batatas, neste contexto, havia um aumento na resposta “tigela”, embora a transição entre uma e outra continuasse gradual (veja o gráfico abaixo).

esquemas2

O estudo indicou que o comportamento de classificação dos sujeitos varia continuamente não só com as propriedade de um objeto, mas também com o contexto que ele apresentado, ou imaginado.

A compreensão dos esquemas mentais têm muitas utilidades, como por exemplo, o estabelecimento de hierarquias para a realização de tarefas, no tratamento de fobias e de transtornos obsessivos-compulsivos, e até mesmo para o desenvolvimento de redes neurais e inteligência artificial.

Quando os objetos são pessoas e tentamos julgar as suas aparências, como tristes ou felizes, nós ocidentais, por questões culturais e individualista, tendemos a observar apenas a figura central e esquecemos o contexto ao seu redor. Esta é uma diferencia crucial no modo de percepção da realidade que nos separa dos ocidentais.

Não devemos nos esquecer da psicologia é o estudo das interações e não do indivíduo separado. (Assista ao ótimo vídeo que mostra as diferenças na percepção da realidade entre ocidentais e orientais).

 

Referências

Anderson, J. R. Psicologia cognitiva e suas implicações experimentais. Ed LTC, 2000.

Rosh, E. 1973. On the internal structure of perceptual and semantics categories.

Artigo escrito por:

Leon Vasconcelos
diretor da Comportamento.Net