Frequentes dúvidas sobre Psicoterapia

Psiquiatria versus Psicoterapia

A psiquiatria é realizada por um médico que, após formado, faz especialização em psiquiatria. O tratamento é mais conhecido do que a psicoterapia por ser ofertado na lista de especialidades dos planos de saúde.

Como a psiquiatria é uma especialidade médica, e a base da medicina é a fisiologia e a bioquímica, o tratamento psiquiátrico é realizado por meio medicamentos específicos.

A indústria farmacêutica dispõe de uma variedade de remédios para depressão, ansiedade, impotência sexual, déficit de atenção, entre outros transtornos, prometendo agir sobre receptores químicos do cérebro, aliviar os sintomas, e controlar as crises.

Tratamento Psicoterápico

Enquanto a psiquiatria busca a mudança comportamental intervindo com o uso drogas, a psicoterapia se concentra nos processos de aprendizagem e foco na interação do indivíduo com o meio social.

O convívio entre as pessoas, a família, os amigos e também a cultura e sociedade, são variáveis importantes para o equilíbrio e a saúde mental.

Há vários estudos indicando, por exemplo, a correlação entre momentos de crise econômica e aumento de suicídios e de doenças mentais.

Portanto, a psicoterapia não ignora as respostas biológicas, porém, o seu alvo de intervenção é a análise dos processos de interação social e como isso interfere nas respostas afetivas.

O entendimento da função dos comportamentos problemáticos, e de como eles foram causados e são mantidos, no contexto de vida de cada paciente, fornecerá os dados necessários para a modificação das respostas mal adaptadas.

Tratamento Combinado:

Nos casos mais agudos, como a esquizofrenia, transtorno bipolar, ou na depressão aguda, o uso de medicamento é essencial para controlar as crises e assegurar a estabilidade do paciente.

Por outro lado, se as drogas não são para todos, a psicoterapia é um tratamento sem contra-indicações, quando feita por profissional qualificado. Ela é indicada para todos os casos de psicopatologias, e também para quem não tem psicopatologia, mas busca aperfeiçoar o seu autoconhecimento e desenvolvimento pessoal.

O ideal seria todos os tratamentos psiquiátricos, farmacológicos, fossem acompanhados de tratamento psicoterápico, mas, infelizmente, alguns médicos, ou os próprios paciente, não dão a devida importância ao tratamento psicoterápico, mesmo contrariando o que diz a maioria das pesquisas clínicas.

A psicoterapia também pode ser exercida por médicos psiquiatras, embora a maioria tenha formação apenas farmacológica. A psicoterapia é a principal ferramenta de intervenção dos psicólogos clínicos. Porém, até os psicólogos (e também os psiquiatras) precisam fazer especializações específicas em psicoterapia, se pretendem atuar profissionalmente psicoterapeutas.

Limites e preconceitos contra a psicoterapia

Uma das maiores causas dos preconceitos e restrições de médicos e pacientes ao tratamento psicoterápico, diz respeito ao dilema: eficácia x tempo de tratamento x formação profissional. Vamos entender cada um deles:

Formação profissional

A psiquiatria envolve a prescrição de medicamentos controlados, e isso só pode ser feito por médicos psiquiatras. A psicoterapia também já foi restrita aos médicos, mas se ampliou para a psicologia clínica, devendo boa parte da evolução às pesquisas psicológicas.

No entanto, fora da área da medicina e da psicologia, a psicoterapia não tem qualquer regulamentação, o que a torna uma prática irrestrita e sujeita ao mercado informal, onde qualquer pessoa pode se intitular psicoterapeuta e oferecer tais serviços.

Eficácia
Só se pode conhecer a eficácia de um tratamento quando ele é sujeito a pesquisas com grandes populações, algo em torno de 5 a 10mil pessoas. Quanto menor o grupo pesquisado, maiores as chances de erros.

Dentre as modalidades mais pesquisadas que acumulam evidência de eficácia, podemos destacar: 1) terapias cognitivo-comportamentais e; 2) hipnose clínica; e 3) As terapias humanistas e psicanalistas, que também apresentam dados favoráveis, mas com tempo de resposta mais demorado, diminuindo a confiabilidade das pesquisas.

Porém, todas são superiores quando comparadas a grupos não tratados.

Tempo de Tratamento

O tempo de tratamento depende de alguns aspectos essenciais:

a) o tipo de problema apresentado;
b) o tempo de início do transtorno;
c) o histórico de vida do paciente;
d) a sua condição atual e relação de apoio social e familiar; e, por fim,
e) o tipo de terapia escolhida.

Dependendo do tipo de limitação apresentada, quando mais cedo o paciente buscar ajuda, mais rápido será o tratamento, e quanto mais tardio, mais demorado.

Modalidades de Psicoterapia

Certamente deve existir mais modalidade de psicoterapia do que conheço, por isso, o critério “quantidade” não será levado em conta nesta análise, mas sim, o quesito “qualidade”.

O motivo da existência de diversas modalidades de psicoterapia é que qualquer tipo de prática que, aparentemente, conduza a melhoria de algo pode ser chamada, pelo seu criador, de “psicoterapia”, e ser vendida como tal. Até algumas terapias religiosas são muitas vezes chamadas de “psicoterapia”.

Dentre as psicoterapias, a seguir, destacarei aquelas que foram objeto de estudo científico.

Terapia de Mesmer ou Hipnose Clínica

É considerada a mãe de todas as psicoterapias por ter sido o primeiro método de tratamento psicológico usado na medicina. Tal fato aconteceu no século XVIII e causou uma reviravolta no ambiente científico. Em 1765, o médico austríaco Anton Franz Mesmer (1734-1815) defendeu que os médicos deveriam abandonar as suas lâminas de sangria – o tratamento tradicional para quase tudo, na época – e usar a técnica criada por ele, necessitando apenas de palavras e passes com as mãos.

Muitos pacientes hipnotizados pelo Dr. Mesmer vivenciavam um estado de agitação convulsiva, movimentos involuntários e gritos, depois, pareciam despertar de um sono restaurador, se sentindo bem melhores e alguns até se diziam curados das suas moléstias.

A terapia de Mesmer se transformou numa febre, em Paris, sendo testada pela própria Rainha Antonieta. Porém, uma comissão científica conservadora, liderada por Benjamin Franklin, avaliou e condenou as explicações de Mermer sobre a ação da terapia, banindo-a de Paris. A técnica retornaria 100 anos mais tarde, com o nome de hipnose, e se tornando uma ferramenta de pesquisas em psicologia.

Psicanálise e Terapias Analíticas

Foi graças a hipnose que outro médico austríaco largou os estudos fisiológicos e bioquímicos da medicina para se dedicar a compreensão da mente humana. Ele se chamava, Sigmund Freud (1856-1939). As suas idéias influenciaram o conhecimento científico e as teorias sociológicas da época.

Freud criou a umas das primeiras psicoterapias, após a hipnose de Mesmer, dando a ela o nome de Psicanálise. Diferente da maioria das psicoterapias, a psicanálise abandonou o objetivo de tratar as doenças mentais, e se focou em produzir conhecimento teórico sobre como a mente humana funcionava.

Recaí sobre a psicanálise boa maior parte dos mitos sobre a ineficácia da psicoterapia, pois como a psicanálise não é focada no tratamento breve de doenças, nem na lógica de mudar comportamentos, ela pode ser exercida por mais de 20 anos.

Psicoterapias Fenomenológicas e Humanistas

As terapias humanistas surgiram como uma alternativa à terapia psicanalítica que se alastrou por toda a medicina, muito embora, a psicanálise pudesse também ser aprendida e praticada por não médicos.

Diferente da psicanálise, que estabelece impulsos primitivos do inconsciente como causas dos comportamentos patológicos, a terapia humanista, como a ACP de Carl Rogers, parte de uma compreensão mais harmoniosa e naturalista do ser humano.

Rogers defendia os seres humanos como “naturalmente bons” e a terapia seria um momento de acolhimento para que os pacientes pudessem falar dos seus sentimentos mais profundos, sem serem julgados, ou punidos. É uma terapia focada na ampla expressão emocional.

Terapias Cognitivas Comportamentais

As terapias comportamentais reúnem as psicoterapias com maior comprometimento científico. Elas foram desenvolvidas a partir do estudo da aprendizagem com crianças e animais, e se focam nos processos de aprendizagens sociais.

Toda a base dos comportamentos se fundamenta nas relações do organismo reagindo ao ambiente físico e social. A sua eficácia é uma das mais eficientes comparada as demais terapias  de médio e longo prazos.

Quem escreveu este artigo:

Leon Vasconcelos, Psy Ms.
formado em psicologia e jornalismo,
e mestre em saúde coletiva.