Leon Vasconcelos/ Novembro 9, 2012/ Publicações/ 0 comments

O objetivo deste artigo é destacar as semelhanças e diferenças entre essas três áreas de atuação profissional: a psicologia animal; a etologia; e o adestramento de animais. As três lidam com animais, mas seus objetos de estudo e objetivos são bem diferentes e não devem ser confundidos.

Psicologia Animal

A psicologia é a ciência que estuda as interações do homem com o ambiente externo (outras pessoas, animais, cidades, cultura, clima..) e o ambiente interno (pensamentos, crenças, valores, memória, sonhos…). O termo Psicologia Animal se refere ao estudo das relações afetivas, emocionais dos homens com os animais, especialmente os seus animais de estimação.

Deste modo, o objeto de estudo da psicologia animal não é o animal, ou o seu comportamento, mas a forma como os animais afetam as pessoas.

Já outra área de estudo da psicologia, chamada psicologia experimental, estuda específicamente a aprendizagem, e usa os animais como modelos de estudo, pois são mais fáceis de se observar, controlar e testar.

As descobertas da psicologia experimental foram responsáveis pela evolução das técnicas de adestramento de animais. Durante a década de 1970, o psicólogo comportamental John Watson, foi o responsável por dar consultoria para a criação dos parques Sea World, que se destacaram pelo adestramento de grande animais, como a orca Shamu, golfinhos e outros animais.

Adestramento de Animais

O adestramento de animais é uma técnica que remonta a tempos imemoráveis. Antigamente, a principal função do adestramento de animais era totalmente utilitária: cavalos usados para puxar o arado, combater nas guerras; cães usados para caça ou proteção, aves, suínos e ovinos criados para alimentação.

Depois os animais passaram a ser usados em espetáculos e circos. As técnicas usadas para treinar eram aprendidas na tentativa ou erro, ou repassados pela tradição, como acontecia com os ciganos. A maioria dessas técnicas usava castigos físicos, extração de garras e dentes e até tortura para adestrar os animais.

Contudo, foi a evolução da psicologia experimental, especialmente os trabalhos de Thornidike e, posteriormente, de Skinner, que deram uma novo significado para o treinamento de animais. Foi Watson que fez a ponte de ligação das técnicas psicológicas descobertas em laboratório para o terreno do entretenimento e do treinamento dos animais domésticos.

O treino por Reforço Positivo revolucionou as técnicas de adestramento. Todos sabemos que seria bem arriscado para um treinador punir uma baleia de seis toneladas e ficar vivo para contar a história. Com as técnicas de reforçamento positivo a punição tornou-se coisa do passado.

O treinamento de cães com o uso do Clicker é um exemplo do treino por reforçamento positivo. Atualmente, muitos adestradores de animais usam esta técnica, mas ainda é muito comum cometerem erros nos esquemas e nos padrões de reforço por desconhecimento das bases da psicologia experimental. Um exemplo de erro desta natureza é a prática de reforço contínuo dos animais, ou seja, o animal é recompesado continuamente sempre que realiza um comando. A utilização correta do esquema de reforçamento não só dispensa o reforço contínuo, como também fortalece o comportamento evitando a sua extinção. (Veja outros exemplos nos humanos dos esquemas de reforçamento).

Etologia

Agora entramos no terreno das Ciências Biológicas, área que o objeto de estudo é a vida e as suas interrelações. O etologista é o profissional, geralmente um biólogo, especialisado em observar o comportamento dos animais em seu ambiente natural, ou em parques e zoológicos. O etólogo não interage com os animais e o seu trabalho deve ser feito de forma mais discreta possível.

O trabalho do etólogo é documentar com precisão os padrões de comportamento emitidos pelos animais, como as danças de acasalamento de algumas aves, as brigas por território dos felinos, o comportamento de caça, entre outros.

As descobertas da etologia também são importantes para a psicologia experimental e para o adestramento de animais. Para que um animal seja condicionado a realizar uma tarefa específica, o comportamento em questão deve fazer parte do seu repertório natural. Isto é, um gato não pode latir, porque latidos não fazem parte do seu repertório comportamental (tudo o que é possível para uma espécie realizar). No entanto, algumas raças de cães uivam que nem lobos, sendo este comportamento mais comum na raça Husky Siberiano, o que o torna uma raça adequada para o treinamento de uivos.

As baleias e golfinhos saltam e usam raciocínio e cooperação em seu ambiente natural para caçar cardumes. Portanto, esse potencial natural pode ser treinado por adestradores usando as técnicas da psicologia experimental. Os exemplos mais surpreendentes são os dos chimpazés que realizam contas matemáticas, aprendem linguagem de sinais e possuem, inclusive,  raciocínio abstrato.

Artigos Relacionados:

Etologia
Aprendizgem e Psicologia Experimental

Artigo escrito por:

Leon Vasconcelos
diretor da Comportamento.Net

Share this Post

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>
*
*