Leon Vasconcelos/ Janeiro 26, 2013/ Publicações

Uma das principais preocupações dos novos clientes quando consultam um psicólogo é saber quanto tempo irá durar o tratamento. Neste artigo, vamos abordar as seguintes questões:

Comportamentos e Conseqüências |
Comportamentos Clinicamente Relevantes |
Tempo |

Um das regras básicas da aprendizagem afirma que quanto “mais próximo em tempo e lugar estiver o comportamento de suas conseqüências, maior será o seu controle”. Isto significa que quem controla o comportamento são as conseqüências deste comportamento.

Entenda como “conseqüência” aquilo que vem depois do comportamento e que tem uma relação com ele. Se você coloca o dedo na tomada e toma um choque, o comportamento de “colocar o dedo na tomada” será imediatamente reduzido por um controle ambiental aversivo, o choque.

Se a jovem usa o seu novo vestido vermelho decotado e recebe várias “cantadas” durante a balada, a probabilidade dela voltar a usar o vestido vermelho aumenta, embora a conseqüência não tenha sido tão imediata quanto a do choque, ela pode relacionar o vestido as cantadas.

Por isso, a compreensão do comportamento que trouxe o cliente ao consultório é um dos principais preocupações do terapeuta. A questão é que nem todos comportamento são tão simples de serem explicados como o medo de baratas, medo de viajar de avião e tantos outros exemplos de problemas pontuais que são, frequentemente, usados na mídia pelos vendedores de técnicas rápidas de terapia.

Alguns problemas comportamentais, como as manias e compulsões, são fáceis de serem descritas, mas não tão fáceis de serem tratadas, pois as conseqüências que as mantém ativas são muito complexas e variadas, o que exige mais tempo e habilidade em lidar com toda a dinâmica envolvida.

Além disso, existem pessoas que chegam à terapia mas são incrivelmente resistentes ao falar sobre os seus problemas. É o caso de alguém que teve algum tipo de surto de choro, medo, angústia, e veio para terapia para evitar novos episódios. Geralmente, ao serem indagadas sobre o que aconteceu antes do surto, eles dizem que não aconteceu nada, que estava tudo bem, que nunca tiveram problema algum, etc. Das duas uma, ou elas não conseguem realmente discriminar (identificar) os estímulos antecessores, ou não possuem o hábito de falar sobre os seus problemas, comportamentos esses que o psicólogo terá que investigar, já que nenhum comportamento acontece “do nada”.

São esses tipos de obstáculos que tornam mais difícil estabelecer os prazos para uma terapia e é muito comum quando os pacientes são jovens trazidos pelos pais, a esposa trazida pelo marido, ou alguém em numa situação de “ser o problema”.

Identificando os CCR´s

São chamados de CCR, ou Comportamento Clinicamente Relevantes, os comportamentos que acontecem durante a sessão e estão diretamente relacionados com a ocorrência fora da clínica. Um exemplo bem básico é o da fobia, se o paciente tiver medo de lagartas e o psicólogo mostrar uma foto, ou vídeo, de lagartas, ele verá o CCR1 em ação! O paciente ficará tenso, irá desviar o olhar, os batimentos cardíacos vão aumentar, etc.

Diante deste tipo de resposta, o tratamento pode se desenvolver bem mais rápido, mas esses casos são menos freqüentes do que aqueles com comportamento supostamente “inexplicáveis”.
Um outro tipo de comportamento clinicamente relevante, o CCR2, acontece quando a ausência de força está diretamente ligada ao problema apresentado. Como no caso do medo de falar em público, quando a falta de habilidade de comunicação, ou os reforçadores e motivadores, são insuficientes para gerar e manter o comportamento.

No consultório, o terapeuta depende dos CCR3, que é a expressão verbal do paciente, ou a descrição verbal que ele faz dos problemas e os correlaciona com o que os estímulos antecessores. Sem os CCR3 o tratamento é bem mais complicado, já que o paciente sempre diz que: “comigo está tudo bem!”.

Por isso, há certos paciente que, embora estejam indo para terapia há cinco, dez sessões, ainda não estão “fazendo terapia”, já que não conseguem emitir os Comportamentos Clinicamente Relevantes.

Cabe ao profissional construir um ambiente terapêutico capaz de intensificar a evocação dos CCR´s, fato que funciona mais como um jogo de tentativa e erro. O psicólogo vai questionando as várias temáticas da vida: social, afetiva, profissional, sexual, expressão de afeto, dando feedback positivo, observando os silêncios, usando questionários, testes, e todos os recursos disponíveis.

Quando o CCR finalmente é emitido durante a sessão, o paciente vai expressar emoções, uma vez que elas funcionam como um marcador, sinalizando ao profissional que o paciente está em contato com as variáveis que controlam o comportamento. Como no exemplo da fobia em que o estímulo “lagarta” controlava a resposta emocional do paciente. A partir daí, ele pode usar várias técnicas para tentar extinguir o comportamento, ou produzir reaprendizagem das respostas disfuncionais.

Por isso, o tempo é uma variável bem relativa quando tratamos de pessoas e de terapia, ele depende dos CCR´s do paciente, da habilidade do terapeuta, da linha ou abordagem terapeutica, da complexidade dos sintomas, entre outras variáveis familiares, sociais. 

Leon Vasconcelos, Psy Msc.
diretor da Comportamento.Net

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