Você está exposto a quê?

charla

Pegue a sua apostila, ou material, do ultimo curso que fez. Procure ao longo dos textos, e após afirmações e explicações, as referências dos dados apresentados. Vá ao final e veja se há, pelo menos, referências bibliográficas?

Se não achou nada disso, significa que você, provavelmente,  esteve exposto ao mais comum dos relatos anedóticos! Ou seja, ao conhecimento do senso comum que tem o mesmo valor de um boato, não tendo qualquer valor para a legimação do seu trabalho*.

Trocando em miúdos, isso significa que não há qualquer garantia em nada do que foi alegado no curso. Todo cuidado é pouco, pois a sua aprendizagem por modelação tende  a ser tornar tão anedótica quanto a do modelo exposto, reproduzindo  as “afirmações da autoridade”, ou simplesmente, repassando cópias de textos de terceiros que ninguém sabe a origem.

Todo o uso de casos pessoais como “prova” de que determinada técnica, ou procedimento, funciona, é um relato anedótico. Significa que não foi estabelecida qualquer medida de controle científico que evite os comuns erros de interpretação e não foi publicado para ser posto ao crivo dos especialistas.

Se por outro lado você achou, pelo menos, algumas referências. Dê o passo seguinte, procure acessar essas referências e veja se quem foi citado, de fato, pesquisou e produziu o conhecimento defendido, ou se não é uma citação da citação da citação, sem que se identifique a origem.

Uma das principais vantagens de se fazer curso com os produtores de conhecimento, ou ler artigos científicos, e consultar material de fontes confiáveis, é que você sempre terá acesso a fontes seguras do conhecimento em questão. Isso significa uma rica variedade de referências para conhecer quem são os produtores daquele saber, e como são feitas, controladas e criticadas as pesquisas.

Se você busca se tornar um “profissional”, deve tratar com profissionalismo e cuidado as fontes de conhecimento as quais se expõem. Jamais se limite aos boateiros que usam a produção alheia para ganhar dinheiro de modo popularesco e, na maioria das vezes, distorcendo completamente o sentido original das informações.

Ao se expor a pedagogia do senso comum, logo você poderá estar agindo da mesma maneira que os seus mestres, repassando informações e alegações anedóticas, convicto que teve acesso ao que há de mais atual e científico**, quando na verdade, estará à mercê da sorte, confiando no relato da suposta autoridade.

 
* Sem referências, você não poderá usar esse conhecimento em nada que seja formal, nem sequer numa monografia de graduação, sob a pena de ser questionado sobre as fontes utilizadas. A reaprendizagem é um processo bem mais dispendioso, demandando mais tempo e dedicação.
 
** Os termos “Aprendizagem Vicariante”, “Modelação”, ou “Aprendizagem Tácita” referem-se a aprendizagem que se dá pelo contato com o modelo, sem que seja necessário se ter “consciência” de que tal comportamento foi  “assimilado” do modelo. Esta é uma das razões do incentivo para que os alunos de graduação participem de congressos e eventos científicos, onde poderão aprender tácitamente as posturas éticas, morais, e as forma de pensar dos pesquisadores mas experientes. 

Autor
Leon Vasconcelos Lopes
bacharel em psicologia e em comunicação
mestre emsaúde coletiva
www.comportamento.net

 

Para saber mais:

http://www.bulevoador.com.br/2010/02/relato-anedotico-versus-relato-estatistico/

Protocolos de Pesquisa Científica

http://www.scielo.br/pdf/abc/v71n6/a01v71n6.pdf

http://www.pucrs.br/farmacia/com_cient_dicas_para_elaboracao_do_projeto.pdf

Evidência Anedótica / Relato Anedótico

http://pt.wikipedia.org/wiki/Evid%C3%AAncia_aned%C3%B3tica

http://usuarios.cultura.com.br/jmrezende/aned%F3tico.htm