Psicoterapias, Terapias e Placebo

O que torna uma psicoterapia eficaz

terapeutas

Você já participou de alguma palestra motivacional, ou pelo menos, já viu alguma dessas palestras na internet? Se sua resposta foi, ´sim`, você já sabe, não há como não se sentir melhor, ou talvez, um pouco mais motivado, após uma boa palestra motivacional, não é mesmo?

Pois bem, esse não é o tipo sensação, ou experiência, que se deve esperar de uma psicoterapia. Se você tem esse tipo de experiência constantemente ao ir à terapia, você pode estar comprando gato por lebre!

A “sensação de felicidade” está frequentemente associada a terapeutas que passam a conduzir as escolhas e convicções do cliente. Validar o que é certo, ou errado, o que é bom, ou ruim, e dar aulas de como a pessoa deve se comportar, não é postura de terapeuta competente e, apesar da sensação de melhoria sentida pelo cliente, esse tipo de terapia acaba por ampliar as fraquezas e inseguranças de quem está em tratamento.

Infelizmente, alguns profissionais que se auto-referenciam deveriam eles próprios se submeterem a um tratamento psicológico, pois tal postura é indicativa de problemas de autoafirmação e insegurança do próprio terapeuta.

O verdadeiro trabalho de um bom terapeuta não é divertido, mas sério, delicado e cansativo. Sim, imagine você passar horas a fio ouvindo e analisando questões, algumas das quais não são bem claras e até distorcidas. Sabe aquela sensação de quem acabou de sair de uma prova do ENEN? Pois é algo bem parecido.

Acrescente, além das horas de análise e atenção concentrada, o terapeuta lida diretamente com as dores humanas, com padrões complicados de comportamentos e interações sociais, e expõe a si mesmo a uma relação de proximidade e afeto com o cliente, para conseguir produzir envolvimento afetivo e possibilitar as mudanças tão esperadas da terapia.

As metas terapêuticas – aquilo que o cliente precisa aprimorar – devem ser estabelecidas como hipóteses de trabalho. E por conta disso, elas também precisam ser testadas (sem ser verbalizadas para o cliente), tendo assim o cuidado de que ele não se comporte desta ou daquela maneira por “ser aquilo ser o esperado pelo terapeuta”.

O grande desafio do terapeuta é implementar esses comportamentos por meio da relação terapêutica sem usar pedagogia, sem dar instruções, sem teorizar, ou dar sermões sobre as regras e valores.

A modificação do comportamento deve ser sentida pelo cliente como uma ´aprendizagem tácita`, ou seja, é semelhante ao aprendizado que você tem ao ir para um Congresso, mas não está diretamente relacionado às palestras e às aulas assistidas, mas ao contato com o ambiente social do congresso, as conversas nos corredores, as trocas de contato e novas amizades, a cultura da área. É como o sotaque, você sabe que é seu embora não saiba como o adquiriu.

A boa terapia não clama por sensacionalismo, ela não se amostra, ao contrário, a terapia te provém, gradualmente, os recursos comportamentais que você vai utilizar em situações delicadas e específicas que ainda estão por acontecer.

Faça terapia para tornar-se um especialista em você mesmo e desconfie das terapias mágicas, infalíveis ou sensacionalistas. E principalmente dos “terapeutas popstar“, esses além enganarem a si mesmos, causam prejuízos aos clientes que tem suas vidas conduzidas de maneira arbitrária e envoltos numa ilusão passageira de cura.

Leon Vasconcelos, Psy
é psicoterapeuta e criador do site
Comportamento.net

 

 

 

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