Leon Vasconcelos/ Abril 21, 2019/ Publicações

O que é

É um programa de análise, desenvolvimento e mudança comportamental, desenvolvido a partir de duas décadas de estudos sobre o sofrimento humano e de centenas de casos clínicos acompanhados por longo períodos por pessoas acometidas por sofrimentos das mais variadas origens.

Nossa experiência clínica e conhecimentos adquiridos nessa trajetória, a partir da prática e de atualizações permanentes sobre novos estudos clínicos bem conduzidos, nos convenceram sobre a importância de não tentar tratar uma queixa ou sintoma isoladamente, mas avaliar e intervir na cadeia de comportamentos que tornam a pessoa suscetível, ou fragilizada a manifestação do quadro sintomático. Isso requer mais do que uma comportamento isolado a ser modificado, mas o aperfeiçoamento do estilo de vida, o qual fornece o frame (ou quadro de referência interpretativa) que é o produtor da realidade pessoal vivenciada pelo cliente.

Usando uma técnica como a hipnose conseguimos alterar a experiência subjetiva imediata do paciente, transformando o quente no frio, o azedo em doce, a dor em pressão e a tristeza em admiração e surpresa. Mas porque as experiências de vida daquele cliente/paciente não lhes foi suficiente para atenuar o seu sofrimento? O que a ele faltava de humano, fora do nosso consultório, para intervir nessa dor? Note que a hipnose nada mais é do que uma relação verbal, estabelecida entre o cliente e a pessoa que assume uma posição de referência e de disponibilidade em ajudá-la a modificar a sua experiência subjetiva.

Comportamentos e Sintomas

Quando avaliamos detalhadamente os nossos casos, acompanhados por até uma década, no qual nossos pacientes e ex-pacientes melhoraram as suas vidas, ficando totalmente livres de sintomas e superando os transtornos ou dores crônicas, é marcante a presença consistente de mudanças nos seus estilos de vida.

Durantes muitos anos essas variáveis chamavam a nossa atenção e já faziam parte das nossas intervenções, ainda que não parecessem diretamente ligadas aos sintomas dos nossos clientes.

Como exemplo, em um caso de depressão de paciente idoso sem vínculos sociais e familiares, identificamos o gosto pela caminhada e pela natação como uma via de intervenção estratégica no quadro de depressão. Aproveitamos a nova prática para identificar e reforçar, em terapia, os comportamentos deficitários de aproximação e de manutenção de amizades íntimas, juntamente, e paralelo a isso, tratamos da educação alimentar, com fins de obter maior controle dos níveis da diabetes e aquisição de consciência corporal discriminativa, tornando o cliente capaz de identificar os sintomas da alta e da baixa glicemia, sem a utilização do glicosímetro.

Intervenção Comportamental

Embora nós já atuassemos nas áreas interdisciplinares, todo nosso foco mesmo nessas áreas era voltado para a análise e a implementação de padrões comportamentais. Ou seja, nosso objeto não era, em si, os elementos nutricionais da alimentação, ou os físicos dos exercícios, mas em como o alimentar-se bem e a prática diária de atividades físicas poderiam se tornar condições para a modificação do sofrimento que levou esse paciente até nós.

Assim o Método Levasck surgiu, como a organização de um programa de aperfeiçoamento comportamental completo, envolvendo desde o desenvolvimento de comportamentos íntimos e do autoconhecimento em terapia, até as orientações para aperfeiçoamento de práticas comportamentais diversas, sejam alimentares, atividades físicas, atividades de lazer, práticas de espiritualidade, conhecimento de educação financeira, entre outras.

Ética e Interdisciplinaridade

Diante da variedade de disciplinas e das possibilidades de influência dessas áreas com a estrutura e o grau de sofrimento humano, temos a preocupação ética de esclarecer que em nenhuma dessas esferas conduzimos as escolhas de nossos clientes. Nosso trabalho finca-se, sobretudo, nos aspectos funcionais e operacionais das práticas e atividades executadas pelas pessoas. Por exemplo, podemos enfatizar a importância do vínculo social e do apoio afetivo encontrado em grupos religiosos para determinado cliente, no qual notamos que tal atividade já teve uma função importante de fornecimento de apoio afetivo, mas que se tornou deficitária no presente. Tal análise e observação é realizada, ainda que não tenhamos vínculos ou preferências por determinada religião, podendo inclusive, tais práticas serem obtidas em grupos de meditação, grupos de ateísmo, autoajuda, ou práticas similares que tenham a mesma função comportamental.

Alimentação Equilibrada

Como o nosso método tem foco no estabelecimento de comportamentos, resolvemos estabelecer regras gerais que promovam comportamentos saudáveis.

Nossa primeira regra é defender que o comportamento alimentar deve ser o mais variado possível. Não apoiamos restrições alimentares, a não ser como parte de algum momento muito específico e temporalmente reduzido. Pois tais restrições, na maioria dos casos, são sentidas como situações aversivas pelos clientes e dificultam a emissão de comportamentos naturalmente saudáveis Ninguém quer comer couve forçadamente porque dizem que isso faz bem, preferimos tornar o gosto da couve algo apetitivo e assim, naturalmente palatável.

Defendemos a diversificação da alimentação, porém estabelecendo critérios quanto à quantidade dos alimentos ingeridos. O incentivo à variação da alimentação tem como alvo prover todos os nutrientes necessários ao bom funcionamento biológico, sem a necessidade do uso de suplementos vitamínicos. Assim como incentivamos nossos clientes a adquirirem conhecimento nutricional para que sejam capazes de entender a relação entre o tipo de alimento e sua quantidade calórica e nutricional, não ficando eles dependentes dos especialistas, e não sendo iludidos pela a aparência externa dos alimentos. **Entender que um sanduíche de mortadela pode ser menos calórico e mais nutritivo do que um pequeno doce de coco.

Nosso programa de gerenciamento comportamental e terapia busca adequar os comportamentos para que se tornem naturalmente emitidos. Desse modo, não interferimos arbitrariamente nas prescrições de outras áreas da saúde, mas buscamos ajustar a forma, afim de tornar tais práticas comportamentos que possam ser sentidos como prazerosos e naturais.

Práticas Físicas e Psicotricidade

O incentivo estratégico às práticas físicas são de grande importância para o desenvolvimento e tratamento de vários déficits e excessos comportamentais. Assim, como no caso da Alimentação, defendemos práticas físicas as mais variadas, não recomendando as práticas físicas restritas aos aparelhos de academias.

Lembrando mais uma vez que tais restrições não tem foco nas limitações do trabalho muscular desses aparelhos, senão da monotonia que leva a baixa eficácia no controle dos hábitos. Buscamos que essas atividades se tornem protetoras do bem-estar e da funcionalidade em situações do dia a dia. As atividades físicas são, portanto, tratadas seguindo a seguinte hierarquia.

Foco na Interação social, na disciplina e disposição em relação aos afazeres e controle alimentar; Resgate e fortalecimento das reações corpóreas capazes de dar conta de atividades cotidianas das mais diversas, e que, para tanto, faz-se necessário o treinamento das seguintes características da psicomotricidade: Consciência e controle da respiração; coordenação motora; flexibilidade; força intensa controlada; atividade cardiorrespiratória; consciência corporal detalhada do core (proteção da coluna vertebral); prática corporal meditativa (prática física que exige controle mental ativo).

Enfatizamos todos esses aspectos com objetivo de criar condições motivacionais específicas que sejam suficientes para implementar a execução habitual e prazerosa, capaz de modificar padrões do estilo de vida. Essas orientações precisam sempre ser validadas em consonância e concordância com os comportamentos e aptidões de cada cliente. Por isso a importância de que um método que envolva várias atividade e proporcionem a sustentação para mudança no estilo de vida e não apenas nos sintomas.

Finanças Comportamentais

Quando as questões financeiras são foco de preocupação e limitações, oferecemos duas maneiras de aperfeiçoar esses comportamentos:

  1. Educação Financeira - São explicações básicas de como funciona o comportamento econômico, juros, taxa selic, aplicações em renda fixa e possibilidades para construção do patrimônio de longo prazo.
  2. Finanças Comportamentais: Uma vez decidido sobre a emissão do comportamento, ajudamos a adequá-lo às características comportamentais do cliente. Expectativas, prazos, receios, escolhas, resultados no curto, médio e longo prazo, são variáveis de controle que são trabalhadas nas orientação e estratégias das finanças comportamentais.

 

Share this Post