Conhecimento, Ética e Inovação

O Método Levasck® é um programa de análise, desenvolvimento e mudança de comportamentos baseado na experiência adquirida em duas décadas de estudos sobre o sofrimento humano e de centenas de casos clínicos de pessoas acompanhados por longos períodos de tratamento.

Nossa experiência terapêutica e conhecimentos adquiridos nessa trajetória, a partir da prática e de atualizações permanentes, nos convenceram sobre a importância de não tratar uma queixa ou sintoma isoladamente, mas avaliar e intervir na cadeia de comportamentos que tornam a pessoa suscetível, ou fragilizada, possibilitando o surgimento do quadro sintomático.

Tratar é Muito Mais do que Aplicar uma Técnica

( O Caso Pedro)   –  Certa vez, recebi no consultório o pai levando o seu filho adolescente. O jovem precisava realizar um exame médico, mas tinha verdadeiro pavor. A sua intenção era que eu fosse até o laboratório, hipnotizasse o garoto para que ele perdesse o medo, e realizasse o exame. Provavelmente, se fosse vinte anos atrás, teria agendado o dia do exame, ido até a clínica e hipnotizado o garoto. Teria cobrado o valor em dobro, por se tratar de atendimento fora do consultório, e pai e filho teriam ficado muito agradecidos. No ano seguinte, eles voltariam. Dessa vez, seria outro exame, ou uma nova queixa, afinal, nada havia sido tratado, apenas empurrado para frente. E foi sabendo disso que recusei fazer a hipnose, no primeiro momento. Precisava entender o que se passava, pois o pai deveria ser a principal figura de apoio afetivo para o jovem filho. E na segunda sessão, eis que o jovem revela, quase sem se dar conta, o recente episódio de separação conjugal que fez com que parte dos irmãos ficassem com a mãe e a outra parte com o pai. Ao conversar com o pai sobre o assunto, percebi que, apesar de ser uma pessoa de ótimo nível intelectual e ter uma boa relação de sociabilidade com o filho, ele tinha dificuldade de expressar os seus sentimentos, usando predominantemente o lado racional para avaliar e orientar seus filhos. Expliquei o fato de que o garoto não tinha fobia alguma e que ao realizar a hipnose estaria interferindo de maneira arbitrária numa relação afetiva que deveria ser mediada por ele, pai. Orientei o pai a expressar para o filho os seus sentimentos e que eles tentassem fazer o exame sem minha ajuda. No dia do procedimento, o filho ficou apavorado e não conseguiu se acalmar. Ao sair do laboratório, o pai criou coragem e resolveu expressar para o filho, em palavras, o quanto ele era importante na sua vida e o quanto o amava. Pai e filhos se emocionaram, lágrimas caíram dos olhos de ambos. E já retornando ao carro, o filho perguntou: “Pai, posso tentar fazer de novo, o exame?”. O pai foi até o balcão, conversou com a atendente. Ela pediu para que fossem até a sala do exame. Dessa vez, sob efeito da emoção genuína do amor de um pai – e não das ordens de um hipnólogo estranho – o filho mudou seu semblante, se esforçou e, em poucos minutos, realizou com sucesso o exame. A resolução não veio por meio da interferência arbitrária de uma autoridade médica capaz de usar uma técnica para modificar as percepções dos pacientes. Mas do correto diagnóstico e da intervenção em um déficit comportamental, criado pela insegurança afetiva entre pai e filho. O momento da superação edificou uma relação muito mais próxima, confiante e equilibrada com o pai. O trabalho foi realizado sem o uso da hipnose e os dois, pai e filho, certamente não retornarão no ano seguinte.

Tratamento e Estilo de Vida

Quando avaliamos os nossos casos, alguns dos quais acompanhados por até uma década, percebemos nos ex-pacientes que melhoraram as suas vidas – ficando totalmente livres de sintomas e superando transtornos ou dores crônicas – o quanto é marcante a presença consistente de mudanças nos seus “estilos de vida”. Durantes muitos anos essas variáveis chamavam a nossa atenção e já faziam parte das nossas intervenções, ainda que não parecessem diretamente ligadas aos sintomas dos clientes.

Como exemplo, cito o caso de uma paciente idosa com depressão e sem vínculos sociais e familiares, no qual identificamos o gosto pela caminhada e pela natação como uma via de intervenção estratégica no quadro de depressão. Aproveitamos a nova prática para identificar e reforçar em terapia, os comportamentos deficitários de aproximação e de manutenção de amizades íntimas, juntamente, e paralelo a isso, tratamos da educação alimentar, com fins de obter maior controle dos níveis da diabetes e aquisição de consciência corporal discriminativa – o que tornou o cliente capaz de identificar os sinais da alta e da baixa glicemia, sem a utilização do aparelho glicosímetro.

Nossa atuação nas áreas interdisciplinares é voltado para a análise e a implementação de padrões comportamentais. Ou seja, nosso objeto não são os elementos nutricionais da alimentação, ou os físicos dos exercícios, mas em como aperfeiçoar a relação com os alimentos, bem como tornar a prática diária de atividades físicas algo não só prazeroso, como socialmente funcional, a ponto de tornar essas práticas condições motivacionais para implementar mudanças na qualidade de vida e promoção da saúde.

O Método Levasck surgiu como um programa de aperfeiçoamento comportamental completo, envolvendo desde o desenvolvimento de comportamentos íntimos e autoconhecimento em terapia, até as orientações para aperfeiçoamento de práticas comportamentais diversas, sejam alimentares, atividades físicas, atividades de lazer, práticas de espiritualidade, manejo de investimentos financeiros, entre outros.

Diante da variedade de possibilidades da influência dessas áreas nos níveis de sofrimento humano, temos a preocupação ética de esclarecer que nosso trabalho tem o foco nos aspectos funcionais e operacionais das práticas e das atividades executadas pelos nossos clientes. Podemos enfatizar a importância do vínculo social e do apoio afetivo encontrado em grupos religiosos para determinado cliente, no qual notamos que tal atividade já teve, ou tem, uma função importante de apoio social, mas que se tornou deficitária no presente. Tal análise e intervenção é implementada, ainda que não tenhamos vínculos ou preferências por determinada crença ou prática religiosa. Isso vale para as demais áreas de atuação, seja nos relacionamentos afetivos, nas aplicações financeiras, ou nas escolhas profissionais.